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Com salário de R$ 1.600, líder de desvio de remédios levava vida de luxo, diz PC

Medicamentos foram recuperados na manhã de hoje, durante ação policial (Foto: Gilson Mello)
Antônio Rodrigues Vieira, funcionário há 14 anos do Pronto Atendimento Médico (PAM) da Codajás, foi apontado como principal líder de grupo criminoso investigado por desviar medicamentos da rede pública de saúde. Ele foi preso na manhã desta quinta-feira, durante as ações da Operação Hígia.
Com salário líquido de R$ 1600, conforme levantamento feito  pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), ele tinha uma casa de três pavimentos, um carro de luxo modelo Toyota Corolla e dois filhos que cursavam Odontologia em faculdades particulares. O curso é um dos mais caros do mercado, pois além da mensalidade elevada, exige um alto investimento nos materiais usados durante o curso.
"Vimos que ele tinha um padrão de vida incompatível com o salário que ele recebia", afirmou a Procuradora de Justiça do MPE-AM Karla Fregapani. Foi o Ministério Público que requisitou a operação da Polícia Civil, após receber denúncias anônimas do desvio de medicamentos no PAM da Codajás.
"A gente identificou que o Antônio era responsável por desviar medicamentos também do Hospital João Lúcio e de outras unidades, como o Hospital da Susam em Iranduba", afirmou o delegado Dênis Pinho, diretor-adjunto da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). Além de Antônio, foram presos também Sidney Barbosa Silva e Sílvio César de Araújo Parente, que também participavam do esquema, segundo a polícia. Um outro mandado de prisão segue em aberto, mas o nome não foi divulgado.
Conforme Pinho, havia o desvio de vários materiais de hospitais, como luvas, aventais cirúrgicos, filmes de Raio X e medicamentos, que eram revendidos para empresários da capital.  Três empresas foram identificadas como receptadoras do material desviado de maneira criminosa: um instituto de radiologia, que fica no Centro de Manaus, um laboratório de análises clínicas e um consultório odontológico.
Cinco pessoas, sendo um médico, um farmacêutico e um dentista, foram conduzidas coercitivamente pela polícia para prestar esclarecimentos sobre o esquema. "São desvios grandes, tinham medicamentos de até R$ 5 mil", afirmou Dênis Pinho, ressaltando que Antônio nega a participação. "Ele diz que não conhece ninguém e que não cometeu crimes, mas as provas dão conta de que ele é o líder", destacou.
Prejuízos à população
Os desvios causados pelo esquema criminoso não somente enriqueciam os envolvidos como causavam sérios prejuízos à população. " (O prejuízo) é inestimável, alguns são medicamentos simples, mas algumas coisas caras que a população chega no hospital e  não consegue ter . São medicamentos comprados pelo Estado, entregue nos hospitais e a população ficou desassistida ", destacou a Procuradora Karla Fregapani.
O delegado Adriano Félix, da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (Derfd),  afirmou que as investigações não deixam dúvidas de que os crimes já aconteciam há anos, prejudicando a população que necessita.
Segundo ele,  na casa dos presos, foram encontradas até pomadas de alto valor.  "Eram pomadas com valores exorbitantes que nós não encontrávamos as vezes numa UPA, num hospital, quando chegava alguém necessitado", afirmou.
O delegado-geral adjunto, Ivo Martins, afirmou que este é apenas o início das investigações e que muitas pessoas ainda serão presas. "A Operação apenas começa neste momento, muitos nomes já estão aparecendo. As investigações foram muito bem conduzidas e as prisões continuarão", afirmou ele, que completou: " que sirva de lição para os que estão assistindo e tenham interesse em continuar com esse tipo de prática, já fica o recado que a gente vai efetivamente coibir ".  

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