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Jovem morto por vigilante de Aeroporto em Manaus tinha sonho de seguir carreira militar

14/03/2017 às 06:15 - Atualizado em 14/03/2017 às 09:50
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Jovem foi sepultado nesta segunda-feira (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Manaus (AM)
Filho de um autônomo e uma dona de casa, o adolescente Isaque Jorge da Silva Correa, 17, sonhava desde pequeno em seguir a carreira militar e dar orgulho a família. Terceiro de quatro filhos, para ele não tinha tristeza, onde quer que chegasse alegrava todo o ambiente com o seu alto astral. Mas tudo isso foi interrompido bruscamente na madrugada de domingo quando o jovem foi morto com um tiro na nuca disparado por um vigilante que presta serviço no Aeroporto Eduardinho, na Zona Oeste.
Ontem, o corpo do jovem foi enterrado no cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, Zona Oeste, sob forte comoção. Depois do sepultamento, familiares e amigos de Isaque foram até a frente do Eduardinho, local onde o adolescente foi morto, para realizar uma manifestação. Com cânticos de louvor e oração eles pediram justiça e em seguida fizeram um minuto de silêncio. “Nós não queremos que este caso seja mais um a cair no esquecimento”, disse o tio de Isaque William Silva.
A mãe do adolescente Beatriz Oliveira da Silva, 39, contou que ele era apaixonado pela área militar e muito apegado a família. “No dia do aniversário dele, dia 10, ele chegou comigo, me abraçou e disse: mamãe, vou dar muito orgulho para você”, lembrou emocionada. “Eu peço que o juiz que for julgar este caso julgue como se fosse por um filho dele porque eu tive um pedaço de mim arrancado. Meu filho tinha sonhos de ingressar na área militar. Foi muito injusto o que fizeram com ele”, completou.
Isaque estudava no colégio militar no conjunto Viver Melhor, na Zona Norte, mas estava aguardando transferência para uma escola no Centro, onde estudaria depois que se mudasse para a casa do pai, Fabrício Jorge, 40, no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste. A mudança estava prevista para acontecer no mesmo dia que o jovem morreu. “Hoje (ontem) era pra gente estar arrumando as coisas dele e fazendo a transferência para a nova escola. Infelizmente aconteceu esta fatalidade”, lamentou Fabrício.
Os amigos de Isaque Jorge também ficaram muito abalados com a morte dele. “Ele era muito alegre, se dava bem com todo mundo, estava sempre do nosso lado quando a gente precisava. Ele nunca falava não e nunca virava as costas, sempre foi um amigo bom”, disse a estudante Cibele Souza, 15, que estudou com Isaque em 2016. “Nós queremos justiça. Não queremos que o Isaque seja mais um jovem na estatística de mortes sem julgamento e condenação”, disse o amigo de infância Will Carvalho, 23.
Abandono
A família do adolescente Isaque Jorge afirmou que em nenhum momento foi procurada pela Amazon Security, empresa onde trabalha o vigilante Juliano Cesar Tanabe Azevedo, 25, responsável pelo tiro que matou o jovem. A reportagem entrou em contato com a instituição e uma atendente informou que o diretor iria se pronunciar por meio de nota, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.
O sofrimento de Idalina da Silva Sarmento, avó de Isaque Jorge
“Ele era um menino maravilho e muito alegre. Sempre me dizia que quando eu ficasse velhinha ele ia cuidar de mim. Ele também falava: vovó, a senhora vai me ver chegar todo fardado e bonito. Vai sentir orgulho de mim. Para nós este momento é de uma dor tão grande que não tem nada que faça passar. Um jovem começando a vida, com todo um futuro pela frente, acabou tendo seus sonhos interrompidos bruscamente. Dói muito saber que não teremos mais Isaque ao nosso lado. Ele (Juliano Cesar, vigilante que atirou em Isaque) pode ser preso, mas um dia vai ser solto e a sua vida vai continuar. Já a Isaque não vai ter essa oportunidade”.
Apurações 
A Empresa Brasileira de Instraestrutura Aeroportuária (Infraero) informou que lamenta a morte do estudante Isaque Jorge da Silva Correa e se solidariza com a família. “A estatal está monitorando o atendimento à família através da empresa terceirizada responsável pela segurança do Aeroporto de Manaus. A ocorrência está sendo apurada pela Polícia, e a Infraero está colaborando com as investigações conduzidas pelo órgão. A empresa acompanha o caso para definir as medidas administrativas cabíveis”, disse em nota.
O caso, registrado do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), foi transferido para o 20º DIP, e o titular da unidade policial, delegado Rodrigo Sá, informou que após os procedimentos cabíveis na unidade policial, o vigilante Juliano Cesar Tanabe Azevedo, 25, foi autuado em flagrante e seria encaminhado a Audiência de Custódia, no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis. O delegado ressaltou que o inquérito irá prosseguir, ele solicitou pericia técnica no local, e após todos os laudos, de forma robusta terá como identificar a versão correta dos fatos.
Entenda o caso
De acordo com informações preliminares do Boletim de Ocorrência (BO), registrado do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o fato ocorreu na madrugada do dia 12, por volta das 03h50, em um posto de combustíveis, em frente ao Aeroporto Eduardinho, no bairro Tarumã, Zona Oeste da capital. Conforme as informações, a 20º Companhia Interativa Comunitária (Cicom), recebeu a informação do ocorrido e encaminhou até a unidade policial o vigilante Juliano Cesar Tanabe Azevedo, 25.
Na delegacia durante depoimento, o vigilante informou que estava em seu posto de trabalho quando avistou um veículo e um grupo tentado fazer ligação em uma motocicleta que era de propriedade de seu colega, o vigilante Alexandre Emilio da Silva. Após identificar o ato, o vigilante entrou em contato com a central para informar o ocorrido, e fazer a abordagem do grupo.
Na delegacia o vigilante informou que após, pedir para o grupo levantar às mãos, o único a não atender ao pedido foi o adolescente Isaque Jorge da Silva Correa, 17, na tentativa de intimidar o adolescente, o vigilante efetuou um disparo para cima, mas como ele estava na parte baixa do terreno e Isaque na parte alta, o disparo atingiu o adolescente.
Testemunhas que estavam junto com o adolescente, por sua vez, informam que um veículo chegou até o grupo pedindo ajuda para ligar uma motocicleta, já que o proprietário teria perdido a chave. O grupo estava ajudando, quando o vigilante apareceu, e eles só ouviram o barulho do disparo, o adolescente veio a óbito no local.

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