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Os 4 tipos de usuários de Facebook, segundo esta pesquisa


Estudo identificou narcisistas, observadores anônimos, arautos de notícias e construtores de relacionamentos



Lançado em 2004 em Menlo Park na Califórnia e inicialmente focado em estudantes de Harvard, o Facebook rapidamente se tornou a maior rede social do mundo. Em 2017, a empresa anunciou que possui 2 bilhões de usuários mensais, o que equivale a 27% da população mundial. As informações que obtém sobre os usuários com cada curtida, postagem e compartilhamento servem para vender anúncios direcionados, que são a principal fonte de receita da empresa. Ela faturou cerca de US$ 27 bilhões em 2016. Por isso, é do interesse do Facebook que seus usuários postem tantas informações pessoais quanto for possível. O uso que as pessoas fazem da rede, no entanto, nem sempre se conforma com esse objetivo. Há aqueles que publicizam cada acontecimento de suas vidas, assim como os mantêm uma página do Facebook sem praticamente nenhuma informação pessoal. 

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Uma pesquisa publicada em abril de 2017 por pesquisadores da universidade de Brigham, nos Estados Unidos, buscou entender o que mantém grupos diferentes de pessoas ligados ao Facebook, e os principais tipos de usos que se faz da rede. Ela se chama “Eu ♥ FB: Uma análise com metodologia Q sobre por que as pessoas ‘curtem’ o Facebook”, em tradução livre. O trabalho, disponível no International Journal of Virtual Communities and Social Networking, encontrou quatro categorias de usuários: Construtores de relacionamentos, que veem no Facebook não uma comunidade global, mas uma extensão de sua rede de contatos da vida real Arautos, que usam a rede social para divulgar notícias e seus próprios pontos de vista 'Selfies', os narcisistas que editam cuidadosamente seus perfis para mostrar que têm uma vida incrível Observadores anônimos, que divulgam o mínimo de informações sobre si mesmos possível, mas não deixam de 'stalkear' outros perfis Além de ajudar a compreender o sucesso estrondoso daquela que é hoje uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a pesquisa aponta algumas formas como o Facebook tem afetado as interações sociais da humanidade. Como a pesquisa foi realizada O trabalho contou com 47 participantes para responder a uma pergunta central: “por que se gosta do Facebook”. 

Com base em pesquisas acadêmicas, artigos de blogs e jornais, e fóruns de discussão, a pesquisa estabeleceu 48 frases representativas das principais formas de lidar com a rede, como “eu não gosto de postar minhas fotos no Facebook”, ou “o Facebook me ajuda a expressar amor pela minha família, e permite que minha família expresse amor por mim”. Os participantes deveriam então ranquear cada frase em uma escala de 11 notas que vai de “tem muito pouco a ver comigo” a “tem muito a ver comigo”. 

Após o questionário, foram realizadas entrevistas em que os pesquisadores buscaram mais detalhes sobre as motivações e sentimentos por trás da forma como cada participante usava a rede. Ao analisar o resultado, foi possível notar que há grupos de indivíduos que dão notas similares a um mesmo conjunto de afirmações, e que possuem motivações similares para usar o Facebook. 

Segundo o trabalho, pesquisas anteriores que utilizaram essa metodologia apontam que mesmo um número pequeno de pessoas é o suficiente para identificar perfis de comportamento. A partir das respostas dos 47 participantes, a pesquisa estabeleceu quatro tipos de usuários de Facebook: Os construtores de relacionamentos São aqueles que se utilizam do Facebook para manter relacionamentos que também existem no mundo não virtual, como amigos e família. Eles não encaram o Facebook como uma plataforma de comunicação aberta ao mundo inteiro, mas sim uma pequena rede de troca de informações entre pessoas que se conhecem. 

Eles consideram a plataforma uma forma prática de manter contato com pessoas queridas, algo que demandaria muito mais tempo e esforço se fosse realizado com ligações por telefone ou encontros individuais. “Para os construtores de relacionamento, socializar no Facebook é como socializar na vida real”, afirma o trabalho. Para esse grupo, o Facebook é uma via de mão dupla: serve para oferecer informações sobre si mesmos para os amigos, de quem se espera por outro lado que respondam na mesma medida. Isso ocorre via posts de fotos e vídeos, marcações nesses posts, curtidas, confirmações em eventos conversas via Messenger. 

Entre as frases com que mais concordaram estavam 'Facebook me ajuda a expressar amor pela minha família, e permite que minha família expresse amor por mim' 'Facebook é uma forma instantânea de pedir ajuda ou alguma coisa que eu preciso das pessoas' Entre as com que menos concordaram estavam 'Eu nunca considero o Facebook uma ferramenta para compartilhar minhas convicções religiosas' 'Eu odeio ver fotos e vídeos no Facebook' Os arautos ('town criers') Esse grupo busca ocupar um papel comparável ao antigamente exercidos pelos arautos das cidades, que anunciavam informações de utilidade pública para seus concidadãos. “Eles não consideram as redes sociais como um meio de manter contato com família e amigos, mas sim como uma plataforma para transmitirem suas palavras e opiniões”. 

Eles encaram o Facebook como uma via de mão única, onde expressam ideias para um público amplo e impessoal entre o qual buscam difundir notícias e histórias. Ele também é encarado como uma plataforma em que se pode obter informações desse tipo. Interações com pessoas próximas ficam reservadas para outros meios, como ligações ou encontros pessoais. Um dos entrevistados afirmou “eu não falo com minha família no Facebook. Eles são mais importantes do que isso”. Os arautos encaram o Facebook como um mundo social pouco realista, e o usam com parcimônia e desconfiança. 

Entre as frases com que mais concordaram estavam 'O Facebook é uma forma terrível de convidar pessoas para encontros' 'Quando me sinto sozinho ou triste, o Facebook é um lugar terrível para obter conforto de família e amigos' Entre as com que menos concordaram estavam 'O Facebook me ajuda a expressar amor pela minha família e permite a minha família expressar seu amor por mim' 'Eu odeio receber atenção de muitas pessoas de uma vez no Facebook' Os 'selfies' São aqueles que buscam autossatisfação e autogratificação. Eles são narcisistas, gostam de atenção e buscam ser validados pela sua rede de contatos. 

Isso ocorre em grande medida na forma de curtidas, que “aumentam a confiança e impulsionam seu humor”, afirma o trabalho. Apesar de servir como forma de interação social, o Facebook é encarado em primeiro lugar como uma ferramenta em que podem propagandear suas próprias vidas. Eles não postam fotos na expectativa de que os outros façam o mesmo para informá-los sobre as vidas deles, mas para obter satisfação com as visualizações e comentários dessas pessoas. “Selfies gostam de mostrar às pessoas como estão se divertindo”, diz o trabalho. Um dos entrevistados afirmou: “tirar uma foto e deixar ela parada no meu telefone não serve para nada, mas assim que eu posto algo no Facebook isso mostra que eu fiz alguma coisa”. 

Muitos selecionam e editam suas fotos à perfeição. Entre as frases com que mais concordaram estavam 'Eu posso mostrar como estou me divertindo e documentar minha vida com o Facebook' 'Quanto maior a quantidade de curtidas eu recebo, mais eu me sinto aprovado pelos meus pares' Entre as com que menos concordaram estavam 'O Facebook é uma fonte de estresse que me deprime' 'Eu odeio receber atenção de muitas pessoas de uma vez no Facebook' Os observadores anônimos ('window-shoppers') Esse é o menor grupo identificado pela pesquisa. São aqueles que se sentem obrigados a ter um perfil no Facebook para se manterem conectados com família e amigos, já que essa é a rede social hegemônica. Mas eles raramente postam qualquer informação. 

Os observadores anônimos não possuem praticamente nenhum dado pessoal em suas páginas do Facebook e nunca postam fotos ou pensamentos textuais. Os observadores anônimos acreditam que a rede social é aberta demais e não desejam imergir nela em excesso. Apesar disso, não veem problemas em observar as interações da rede ou, em outras palavras, “stalkear” seus contatos. Um dos entrevistados afirmou: “eu amo stalkear. Se alguém menciona o nome de uma outra pessoa, eu entro no Facebook para ter uma primeira ideia de quem ela é”. 

Entre as frases com que mais concordaram estavam 'Eu tenho que usar o Facebook para me manter conectado com as outras pessoas -é o que todo mundo usa!' 'Eu posso olhar livremente o perfil do Facebook de alguém por quem eu tenho uma queda, para dessa forma saber mais sobre seus interesses e status de relacionamento' Entre as com que menos concordaram estavam 'Compartilhar músicas no Facebook me ajuda a me expressar melhor' 'Eu posso mostrar como estou me divertindo e documentar minha vida com o Facebook'




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