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Sindicatos entram em acordo e greve dos rodoviários de Manaus chega ao fim

Via Crítica
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário e Urbano Coletivo de Manaus e no Amazonas (STTRM) e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) entraram em acordo nesta segunda-feira (04) em reunião na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), no bairro de Flores, na Zona Centro-Sul de Manaus. Com a medida, chega ao fim a greve dos rodoviários de Manaus que contou no seu sétimo dia com depredação de veículos. 

Segundo o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges, ambas as partes chegaram ao acordo de 5,5% de reajuste a ser pago a partir do quinto dia útil do mês de agosto.

Apesar do acordo, Borges informou que não há como garantir, para hoje, o funcionamento da frota em sua totalidade porque 61 foram depredados hoje. “Já houve um prejuízo porque alguns trabalhadores acabaram não indo trabalhar no segundo turno. Tivemos 60 carros depredados. Infelizmente não foi possível colocar a frota na rua devido o problema da manhã e isso se reflete no dia inteiro”, disse ele.

Por volta de 19h desta segunda-feira, 68% da frota está circulando na capital. De acordo com os números do Sinetram, 856 veículos estão atendendo todas as linhas do transporte público de Manaus, quase 300 ônibus a mais do que a frota que operava nesta tarde. Antes do fim da greve, 587 ônibus estavam circulando, o que correspondia a 47% do total da frota, que é de 1.260 ônibus em 229 linhas.

No acordo fechado entre as partes ficou acertado que em caso de culpa por sinistros nos veículos, trabalhadores pagarão R$ 1,5 mil em seis vezes, até 30 de abril de 2019. Borges afirma que o prejuízo causado pela greve chega a R$ 5 milhões, porém não soube informar o valor das depredações dos ônibus. 

Ainda conforme o acertado entre o Sinetram e STTRM, até 30 de abril de 2019, somente 10% do quatro total dos rodoviários poderá ser formado por trabalhadores horistas, intermitentes ou tempo parcial. Trabalhadores irão compensar as faltas com um calendário especial a ser apresentado em dez dias pelo Sinetram. Feriados valerão o dobro para efeitos de compensação. O salário de maio deve ser pago até 13 de junho e benefícios (cesta básica, vale lanche e vale almoço), até o dia 8.

"Houve pedido por parte do sindicato profissional (STTRM) para que houvesse um abono desses dias de paralisação. O sindicato patronal (Sinetram) não aceitou, e disse que pelo menos houvesse a compensação. Esse pedido foi acolhido pelos rodoviários e todos os horários serão compensados", declarou o procurador do trabalho, Jorsinei Dourado.

Fernando Borges em entrevista após a reunião no MPT. Foto: Alessandra Reis

Conforme o acordo assinado no MPT, as multas que haviam sido aplicadas ao Sindicato dos Rodoviários, tanto pela Justiça do Trabalho quanto pela Justiça Comum, serão tratadas no bojo das respectivas ações, sem que o acordo tenha poder de modificar algo em relação ao tema.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, disse que os advogados do sindicato vão recorrer das multas aplicadas pelo TRT por conta da paralisação. "A gente vai recorrer. Sempre deixei claro que ninguém está nessa por dinheiro. Nós do sindicato somos uma instituição sem fins lucrativos para defender os direitos dos trabalhadores". 

Oliveira também não descartou uma nova mobilização. "Diante do que aconteceu entendemos que foi um avanço. Não estou arrependido do que eu fiz, se eu tiver que fazer de novo irei fazer, mas neste momento a greve está encerrada", declarou.

Além dos representantes do Sinetram e STTRM, participaram da reunião no MPT o procurador do trabalho, Jorsinei Dourado do Nascimento; o procurador-geral do município, Rafael Gomes de Oliveira; e o diretor-presidente da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman), Fábio Alho da Costa. Os vereadores Sassá da Construção Civil (PT) e Jaildo Oliveira (PC do B), ambos da comissão de transportes da Câmara Municipal, também estiveram na reunião.

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