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FAMÍLIA DE MENINO QUE TEVE MANGUEIRA DE AR INTRODUZIDO NO ANUS, RECEBERÁ PENSÃO DOS ACUSADOS EM MS


Trechos do depoimento de testemunhas e inclusive da vítima, Wesner Moreira da Silva, de 17 anos, que morreu após ser violentado com um mangueira de ar, em um lava-jato de Campo Grande, mostram que a vítima não estava participando de uma brincadeira, conforme disseram os acusados Thiago Giovanni Demarco Sena e William Enrique Larrea.

O G1 teve acesso as oitivas e apontam que a vítima não consentiu e, inclusive, pedia para o patrão e colega pararem, sem ser atendido.

Consta na denúncia que, no dia 3 de fevereiro de 2017, por volta das 10h (de MS), a vítima estava no estabelecimento comercial, localizado na avenida Interlagos. Na ocasião, ele pediu para William comprar um refrigerante, para que juntos consumissem, quando o colega respondeu: "De novo? Agora toda hora Coca-cola!". Em seguida, o homem pegou um pano utilizado para limpar carros e passou a bater no adolescente.

Em dado momento, o laudo policial fala que o adolescente pedia para William parar. Sem atender ao pedido, o adolescente corre e é perseguido, imobilizado e agarrado. Sem ter como escapar, Thiago chega ao seu encontro. William, ainda conforme o documento do Ministério Público, chega com a mangueira de ar, utilizada para limpeza de veículos no lava-jato, ligando o equipamento e introduzindo no ânus. A vítima então passou mal e vomitou.

O adolescente recebeu atendimento médico em dois hospitais e realizou procedimentos cirúrgicos. Ele não resistiu e faleceu no dia 14 daquele mês. Foram feitas inúmeras diligências no decorrer do inquérito, com apreensões, fotografias, laudos, exames em roupas e objetos, entre outros.

Questionado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e o Adolescente (Depca), ainda internado, Wesner falou: "Isso não é brincadeira! Não era brincadeira. Eu não ia querer esta brincadeira nunca....pegaram eu de supresa (...) E o Thiago agarrou minhas duas pernas, segurou. Eu gritei. Mandei para, mas não pararam. O Thiago que ligou o compressor e colocou a mangueira ni mim..."

Declarações coerentes

As sete declarações, segundo os laudos, são coerentes com os depoimentos a seguir. Umas das testemunhas ressalta que, antes da entubação, o menino fez gestos do que aconteceu, inclusive mostrando onde colocaram a mangeira nele. Já o médico perito legista ouvido em juízo, comentou, ao confeccionar o laudo, que a pressão foi tamanha, sendo maior e passível de estourar um tímpano, arrancar um globo ocular e causar sério danos cerebrais.

"Tanto é que existe uma recomendação do Ministério do Trabalho, com relação ao manuseio desses equipamentos. Então, compressor de ar não é brinquedo. Compressor de ar é um instrumento de trabalho e, como tal, deve ser respeitado. Então eles orientam a nunca, nunca limpar vestes com o compressor de ar, aproximar da face, do corpo, sem a devida proteção..."

Crime foi em lava jato da capital de MS (Foto: Flávia Galdiole/ TV Morena)

Doloso ou culposo?

O juiz da 1° Vara do Tribunal do Juri de Mato Grosso do Sul, Carlos Alberto Garcete de Almeida, desclassificou o crime de homicídio doloso imputado a Thiago e Willian. Na decisão, o juiz delibera para que os acusados "respondam por outro crime não doloso contra a vida", entendendo que os acusados não tiveram intenção de matar.

Pensão para os pais

Na última segunda-feira (13), a Justiça determinou que os acusados paguem indenização aos pais da vítima. Conforme movimentação no processo, Willian e Thiago devem pagar, juntos, o valor de 2/3 de salário mínimo, que corresponde a R$ 636 mensais. O valor é estendido até o ano em que ele completaria 25 anos. Após este período, o valor é de 1/3 do salário mínimo, até o momento em que ele completaria 65 anos.

O menino teria atualmente 18 anos, sendo que o pagamento será pelos próximos 47 anos. O advogado de defesa, Francisco Martins Guedes Neto, comentou que protocolou recurso e aguarda posicionamento do Tribunal de Justiça (TJ), que vai decidir o caso.

Entenda o caso

Wesner perdeu parte do intestino ao ser agredido com uma mangueira de ar comprimido pelo ânus. Segundo a polícia, não houve introdução, mas a força do ar devastou os órgãos. Depois de 11 dias internado na Santa Casa de Campo Grande, o adolescente morreu em consequência de uma complicação no esôfago que ocasionou perda de líquido e sangue.

Na época, o dono do lava-jato Thiago Demarco Sena e o colega William Henrique Larrea disseram que tudo foi uma “brincadeira” e a polícia entendeu que não houve conotação sexual, por isso, o caso foi registrado como lesão corporal. Antes de morrer, Wesner negou que tratou de brincadeira.
Dono de lava jato e funcionário são suspeitos do abuso (Foto: Flávia Galdiole/ TV Morena)

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