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Facebook foi usado para leiloar adolescente no Sudão

Em publicação, menina sudanesa de 16 anos foi vendida pelo maior lance para casar-se com o comprador
Por André Lopes



O casamento com menores de 18 anos é proibido no Sudão, mas a pratica ainda é generalizada. (Phil Moore/AFP/VEJA)

Em outubro, sudaneses disputaram em um leilão uma adolescente de 16 anos depois que viram um post no Facebook que anunciava sua venda. Em alguns dias a negociação foi encerrada e a jovem vendida a um rico empresário em troca de 530 cabeças de gado, três carros e 10.000 dólares, segundo informações da Reuters.

A bizarrice é mais um exemplo de como o Facebook pode ser incontrolável e distante dos ideais de civilidade proferidos pelo mandachuva Mark Zuckerberg em qualquer de suas aparições públicas. Principalmente em países emergentes. E exemplos recentes disso não faltam.

Em Mianmar, no mês de agosto, mais de 700.000 membros da comunidade Rohingya foram forçados a fugir do país depois que posts estimulando o genocídio da minoria religiosa surgiram no Facebook. Os perfis por trás das publicações pareciam normais, mas foi comprovado que eram administrados secretamente por membros das Forças Armadas do país. Na Líbia, durante 2018, o Facebook tem sido usado por milícias para espalhar notícias falsas e mensagens de ódio contra grupos rivais que contribuíram para multiplicar a violência no país e o clima de tensão em pequenas vilas.

A postagem original com o leilão da adolescente ocorreu em 25 de outubro. Porém, foi removido somente em 9 de novembro. Em comunicado, um porta-voz do Facebook disse: “Qualquer forma de tráfico humano – seja de posts, páginas, anúncios ou grupos – não é permitida no Facebook. Removemos a postagem e desativamos permanentemente a conta pertencente à pessoa que postou isso no Facebook”. Contudo, já era tarde. O casamento entre a jovem e seu comprador havia ocorrido no dia anterior ao da remoção.

O casamento infantil já é ilegal no Sudão do Sul, mas a prática continua, apesar dos esforços do governo em amenizá-la. As autoridades temem que a possibilidade de chegar a valores mais altos por meio do sistema de vendas da plataforma impulsione o interesse pelo tráfico de mulheres usando o Facebook.

*Com Reuters

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