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'Vamos propor uma mudança no sistema de votação', diz Bolsonaro


O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou no último sábado, 8, que pretende propor uma mudança no sistema de votação eleitoral do País. Para ele, o número de votos recebidos durante as eleições não correspondeu à realidade.

"Eu sei que eu teria muito mais voto. Não é que queremos mudar tudo, mas queremos aperfeiçoar esse processo", disse. Bolsonaro participou, por videoconferência, da Cúpula Conservadora das Américas, realizada em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Ele, no entanto, não detalhou que mudanças pretende fazer.

Vestindo um moletom preto e sentado na beirada de uma cama, Bolsonaro afirmou que luta contra as ideologias de esquerda há muito tempo e que seu governo precisa dar certo para que o PT não retorne ao poder.

"Ou mudamos o Brasil afora ou o PT volta. E ele volta com muito mais força do que tinha até o final do governo Dilma. Eles não dormem no ponto." Ele disse ainda que sua campanha eleitoral não foi fácil e relembrou a facada que o atingiu em setembro. "Não foi uma campanha fácil, vocês sabem disso", afirmou.

A chamada por vídeo foi marcada por algumas dificuldades de Bolsonaro com a tecnologia. Quando ele atendeu a chamada, apenas na segunda tentativa, primeiro apareceu o chão e depois o teto do quarto. Só, então, Bolsonaro conseguiu posicionar a câmera corretamente.

Sua participação não estava prevista no evento. Seu nome foi anunciado por seu filho, o deputado reeleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), e, assim que sua imagem surgiu na tela, a plateia aplaudiu - alguns gritaram "mito".

Outra surpresa, dessa vez protagonizada por Eduardo, marcou o fim da cúpula. O parlamentar afirmou que queria tornar o evento memorável para todos os participantes, mas também para ele. E, do palco, pediu sua namorada, Heloísa Wolf, em casamento. Ela subiu ao palco, onde o deputado lhe deu a aliança de noivado e usou o microfone para responder que aceitava se casar com o deputado.
Cúpula Conservadora das Américas

A 1ª Cúpula Conservadora das Américas foi marcada pelo argumento de que é preciso organizar a direita no Brasil para evitar o retorno da esquerda no poder, principalmente do PT. Militantes conservadores se reuniram em Foz do Iguaçu para o evento.

Durante a tarde e a noite deste sábado, uma plateia de cerca de 600 pessoas acompanhou discursos de quem se coloca hoje como representante do movimento da direita no Brasil e na América Latina. Mais assediado pelos presentes, o deputado reeleito Eduardo Bolsonaro foi a grande estrela do dia.

Sempre que aparecia em meio ao público era parado para uma foto e um aperto de mão. Algumas chegaram a comemorar a imagem conquistada. Já o guru teórico de quase todos os presentes, o filósofo Olavo de Carvalho, participou apenas remotamente. Por uma videoconferência permeada por problemas técnicos, ele alertou seus pupilos sobre a necessidade de se contrapor ao Foro de São Paulo, organização que desde os anos 1980 reúne entidades e partidos de esquerda.

Ele também relembrou aos presentes que o sucesso da direita nas eleições deste ano se deve, em grande medida, a Bolsonaro e alertou para o "risco" de que o sucesso eleitoral pudesse subir à cabeça dos aliados. Da plateia, a deputada eleita Carla Zambelli (PSL-SP) assistiu ao recado.

Horas depois, os irmãos Abraham e Arthur Weintraub defenderam adaptar a teoria de Olavo de Carvalho para vencer a esquerda. Apesar de terem sido convidados para falar em uma mesa sobre economia, os irmãos focaram suas falas em estratégias que podem ser adotadas para "conversar com comunistas e ganhar deles".

"Quando ele (um comunista) chegar para você com o papo 'nhoim nhoim', xinga. Faz como o Olavo de Carvalho diz para fazer. E quando você for dialogar, não pode ter premissas racionais", disse Abraham Weintraub, indicado para ser o secretário-executivo da Casa Civil.

Durante a semana, a organização do evento informou que mais de 2 mil pessoas haviam feito as inscrições para participar. No entanto, apenas cerca de 600 compareceram. Para Eduardo Bolsonaro, a distância impediu que muitos dos interessados pudessem vir a Foz do Iguaçu. Ainda assim, ele defendeu a escolha de local porque a cidade fica na tríplice fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina.

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