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Chega ao Senado indicação de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central



Chegou ao Senado a mensagem do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, que indica o economista Roberto Campos Neto para presidir o Banco Central do Brasil (BC). A mensagem presidencial será lida em breve no Plenário do Senado para então ser enviada para a análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Deverá ser a primeira sabatina da comissão em 2019.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Na mensagem (MSF 2/2019) consta o currículo de Roberto de Oliveira Campos Neto, bacharel e mestre em Economia pela Universidade da Califórnia. Ele iniciou a carreira no Banco Bozano Simonsen e trabalhou no Banco Santander por vários anos. Na argumentação presente na mensagem, Roberto Campos Neto afirma que participou da formulação da política econômica do governo Bolsonaro e diz ter “perfeita afinidade intelectual e moral com a equipe econômica”.

Neto é atualmente assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes, e integrou a comitiva brasileira no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. A indicação já havia sido anunciada pelo presidente da República no ano passado.

O indicado é neto do lendário economista, diplomata e escritor Roberto Campos (1917-2001), grande defensor do liberalismo econômico, que participou do governo Juscelino Kubitschek e foi ministro do Planejamento do governo Castello Branco. Seu avô foi deputado federal e senador, além de membro da Academia Brasileira de Letras. Foi também embaixador em Washington e Londres. Roberto Campos Neto substituirá Ilan Goldfajn.
Expectativa

Alguns senadores questionados pela reportagem preferiram não opinar sobre a indicação por ainda não conhecerem de maneira mais detalhada o perfil do indicado. Já o senador Lasier Martins (Pode-RS) disse ter esperança que a gestão de Roberto Campos Neto no BC será positiva para o país.

— Ele tem pedigree. Neto de Roberto Campos, é um homem moderno, é do ramo, tem formação no exterior. Eu acho que tem todas as condições de fazer uma grande administração dentro desta nova fase de gestão pública no Brasil. Eu tenho esperança e vejo nele todas as condições para nos contemplar com propostas e inovações no ramo econômico e financeiro, tão importante para o Brasil — afirmou Lasier na tarde desta quarta-feira (6), pouco antes de participar da eleição da Mesa do Senado.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) também elogiou a indicação.

— É um excelente nome. É um rapaz jovem, muito conceituado no meio acadêmico e no meio financeiro, pelo seu talento, por seu currículo. Acho que é uma indicação que o Brasil pode ficar tranquilo em relação à condução do Banco Central — disse Tasso, alertando que o equilíbrio fiscal do país deve ser uma das prioridades do novo governo e que essa questão fiscal passa, necessariamente, pela reforma da Previdência.

Por sua vez, o senador Angelo Coronel (PSD-BA) disse esperar que o Banco Central trabalhe por inflação e taxa Selic baixas.

— Roberto Campos Neto é uma pessoa de mercado. Eu espero que, caso ele venha a ser referendado após a sabatina, que ele mantenha a inflação sempre decrescente e consiga baixar a taxa Selic. Esperamos também que o Banco Central tenha independência, temos que equacionar os problemas de ordem financeira para que a gente consiga atrair investidores internacionais e fomentar mais ainda a nossa economia — afirmou Angelo Coronel após a eleição da Mesa do Senado.

O líder do PSL, senador Major Olimpio (SP), disse que Roberto Campos Neto está bem preparado para o cargo.

— É um dos melhores quadros que poderia ter sido escolhido. Sujeito vocacionado, extremamente bem preparado. Estava no Santander e, pelo que eu tenho conhecimento, não quis assumir um cargo na direção mundial do Santander para que pudesse atender a um convite do presidente para assumir o Banco Central. Isso nos dá uma garantia inequívoca que é alguém vocacionado que vai colocar à disposição do país a sua capacidade. Logicamente, uma demonstração dessa capacidade ele vai dar quando for sabatinado aqui na CAE — disse Major Olimpio.

O líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PE), também disse que prefere esperar a sabatina na CAE.

— Todos nós entendemos que é uma atribuição do governo. Logicamente que nós vamos sabatinar, mas a julgar pelo que foi dito até agora, ele fará um mandato completamente distante daquilo que nós achamos que seria o ideal para um presidente do Banco Central. Ou seja, que houvesse uma preocupação com o controle da inflação, mas que houvesse uma preocupação simultânea com a questão da geração do emprego no Brasil. Porque juros, inflação e emprego são três coisas que estão umbilicalmente ligadas —afirmou Humberto Costa.
Sabatina

A Constituição federal determina que cabe ao Senado aprovar previamente, por voto secreto, após argüição pública (sabatina), a escolha do presidente do Banco Central. De acordo com o Regimento Interno do Senado Federal (Risf), uma das competências da Comissão de Assuntos Econômicos é de opinar sobre as indicações para ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) e para diretores e presidente do Banco Central.

Cabe também à CAE, conforme o Regimento, promover audiências públicas com o presidente do BC nos meses de fevereiro, abril, julho e outubro para discutir as diretrizes, implementação e perspectivas futuras da política monetária.

O Banco Central do Brasil é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Economia (antigo Ministério da Fazenda). O BC foi criado pela Lei 4.595, de 1964, e tem como tarefas manter a inflação baixa e estável, assegurar a solidez, segurança e eficiência do sistema financeiro e produzir o dinheiro em espécie que circula no país.

O BC detém as contas mais importantes do governo federal e é onde o país guarda suas reservas internacionais. As instituições financeiras precisam manter contas próprias no BC. Essas contas são monitoradas para que as transações financeiras aconteçam com fluidez e para que as próprias contas não fechem o dia com saldo negativo.

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