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Descaso: Policiais Militares que atuam em presídios do Amazonas só comem se sobrar dos presos


Denúncia feita por familiares revela situação insalubre em que se encontram trabalhadores da segurança pública no Estado

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Manaus (AM) – Policiais Militares que atuam em presídios do Amazonas sofrem com o descaso e até com a falta de humanidade do Comando da PM e da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Qualidade da comida e da água, excesso de trabalho e remuneração defasada estão entre as denúncias que chegaram até a Central de Notícias da Amazônia (CNA7), por meio dos familiares que sofrem com a forma de como os policiais são tratados.

De acordo com a denuncia, os PM’s consomem água de qualidade duvidosa e ainda têm que mendigar alimentos, já que, em alguns casos, a comida só dá para atender aos presos. “O almoço tem que saber se vai dar para eles comerem”, conta uma familiar. 

Além de cumprirem 24 horas de serviço atuando, praticamente, como carcereiros, os policiais ainda devem cumprir o Treinamento Físico Militar (TFM) no período das 48 horas, que deveriam ser de folga. Eles ainda não estariam recebendo as remunerações devidas para o cumprimento da função, apenas Gratificação de Trabalho Extra (GTE), porém foram informados que a Seap pagaria gratificação e isso não está acontecendo. 

Os familiares dos policiais que mantiveram contato com a CNA7 demonstraram preocupação com as condições dentro dos presídios, já que em alguns casos, o alojamento destinado para o repouso desses trabalhadores fica dentro do próprio presídio. “Fica dentro do barril de pólvora em condições insalubres, pois o ar-condicionado não funciona”, explica um dos parentes dos policiais. 

Os familiares pediram para não serem identificados com medo dos PM’s sofrerem represálias, mas afirmam que eles têm contato direto com os detentos, que, em alguns casos, foram presos pelos próprios militares. “Eles estão fazendo o serviço de agentes penitenciários, tendo contato diretamente com os presos”, conta uma das pessoas que conversou com a reportagem. 

Grupamento de Intervenção

Ainda de acordo com os familiares, 44 PM’s integram o chamado Grupamento de Intervenção Penitenciária (GIP), para as missões concedidas pelo comando, com promessa de boa alimentação, entretanto, nem café tomam quando entram no serviço. A escala de serviço do GIP é preparada com antecedência, mas não estaria sendo cumprida, pois todas as semanas os profissionais são comunicados de mudanças no período de serviço e nas escalas.

Os familiares pedem respeito e dignidade para quem trabalha na segurança da população amazonense. “Para o grupamento foram prometidas todas as condições de trabalho, alimentação, conforto, considerando que é bastante insalubre e é um serviço q não é de polícia, e sim de agentes penitenciários, mas nada está, de fato, acontecendo, e toda semana é uma escala diferente cada vez mais apertada”, concluem os denunciantes.

Resposta

A reportagem entrou em contato com a Assessoria de Imprensa do Deputado Estadual Cabo Maciel (PR), presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas, para saber quais os procedimentos podem ser tomados para resolver o descaso denunciado por familiares de policiais militares. 

Por telefone, a assessoria do deputado informou que, segundo o Secretário da Seap, tenente-coronel Marcus Vinícius de Oliveira, em conversa com o deputado, os policiais não mantêm contato com presos e servidores que atuam nos presídios ficam apenas nas chamadas “muralhas”. A assessoria assegurou que retornaria o contato para apresentar o depoimento do político o que não ocorreu até o fechamento desta matéria. 

A reportagem também entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Seap, que até o fechamento da matéria, não respondeu a demanda. No número de final 2916, repassado à reportagem como do comandante Geral da PM Coronel Norte, as chamadas não foram atendidas e no contato da assessoria, de final 8059, as mensagens foram visualizadas, mas não foram respondidas

Fonte: CNA7 

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