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PEGA LESO: População também tem obrigações, não só direitos' diz general Mourão

Em discurso a empresários na sede da Federação das Indústrias de São Paulo, a Fiesp, na tarde de ontem, o vice-presidente da República, o general da reserva Hamilton Mourão, disse que a população também precisa ter responsabilidades e obrigações, não apenas direitos. O general quer o apoio dos brasileiros para aprovar a reforma da Previdência.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Em apenas 29 minutos de fala, Mourão foi interrompido seis vezes por aplausos ao defender a redução da carga de impostos para as empresas; a diminuição das leis trabalhistas, e a proteção da indústria brasileira contra a competição internacional.

"Temos que colocar na cabeça das pessoas que abdiquem da ideia de que o Estado pode tudo. 'Não, roda a maquininha lá e produz o dinheiro'. Convencer a população de que eles também têm obrigações, e não apenas direitos. Temos que trabalhar isso dentro do nosso Congresso", disse o vice-presidente, ao defender a necessidade de ganhar apoio da população para aprovar a reforma no Legislativo.

Aos empresários paulistas, Mourão criticou os reajustes automáticos do salário mínimo e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a pessoas com deficiência; e disse ainda que o Ministério da Educação (MEC) precisa de um "freio de arrumação".

O encontro com o empresariado paulista não é o primeiro do vice-presidente neste mês. No dia 23 de março, Mourão foi à Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). E, no dia 19, encontrou-se com empresários em Brasília numa atividade do Lide, a empresa de eventos do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).


A sede da Fiesp é um dos prédios mais icônicos da avenida Paulista, no centro da capital - a construção em formato de pirâmide tornou-se ainda mais famosa em 2015 como a casa de um enorme pato amarelo inflável. Usado inicialmente numa campanha contra aumento de impostos, tornou-se depois um dos símbolos do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

A fala de Mourão foi no Teatro Popular do Sesi, no subsolo, e foi acompanhada por quase 700 pessoas. A maioria era de empresários da indústria.

O evento na Paulista era uma reunião conjunta das diretorias da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Mourão deixou o local e foi um dos primeiros a chegar a um jantar na casa do empresário e político Paulo Skaf (MDB), presidente da Federação paulista e terceiro colocado na disputa pelo governo paulista nas eleições de 2018.

Lá, recebeu junto com o emedebista uma plateia ainda mais seleta: trinta dos maiores empresários do país, em diferentes ramos de atividade. Compareceram João Carlos Saad, do grupo Bandeirantes de comunicação; David Feffer, do grupo Suzano (papel e celulose); Luiz Carlos Trabuco, do banco Bradesco; Luiz Pretti, da Cargill (agricultura); Victorio de Marchi (co-presidente da Ambev); e o ex-deputado Flávio Rocha (dono da Riachuelo), entre vários outros.

O contingente dos não-empresários incluiu o secretário de Fazenda de SP e ex-ministro, Henrique Meirelles, e o ex-ministro do STF Nelson Jobim, além do maestro João Carlos Martins. O ex-candidato presidencial Levy Fidelix também foi: ele é o chefe do PRTB, partido de Mourão.
Aplausos

Na Fiesp, o general alternou momentos em que lia, com outros nos quais falou de improviso. Arrancou risos duas vezes.

"Eu li aí, há um tempo atrás, que um primeiro-ministro da França assim declarou: 'Sim para a economia de mercado, não para a sociedade de mercado'. Ministro Jobim (que estava na plateia), eu lhe pago uma viagem grátis para a Coreia do Norte se o senhor me explicar o que é isso daí", disse Mourão para descontrair. A frase é atribuída ao ex-premiê francês Lionel Jospin (1997-2002).

Em outros momentos, Mourão adotou tom de voz mais enérgico. Por exemplo, quando criticou o socialismo e adversários políticos que, segundo ele, acham "que o muro de Berlim ainda não caiu".

O vice-presidente elogiou três líderes estrangeiros: a britânica Margaret Thatcher (1979-1990); o norte-americano Ronald Reagan (1989-1989), e o chinês Deng Xiaoping (1982-1987). Para Mourão, os três "iniciaram um movimento que trouxe vida àquilo que hoje chamamos de globalização, e também (...) o neoliberalismo". "O neoliberalismo, ou liberalismo, nada mais é que a defesa intransigente do direito à propriedade privada. Pois onde não há propriedade não há o único sistema econômico que deu certo no mundo, que é o capitalismo", disse.

A primeira saraivada de palmas veio quando Mourão pregou a necessidade de reduzir a carga tributária para as empresas.

"As senhoras e os senhores, como empresários e produtores, sabem muito bem o peso da carga tributária. E ela é pesada por dois aspectos: primeiro, pela sua complexidade. E segundo, pelos seus valores. Então nós não temos a mínima dúvida: temos que reorganizar o sistema tributário e reorganizar as taxas que incorrem sobre todas as senhoras e os senhores", disse.

Em seguida, o general da reserva citou outro militar, o ex-presidente Ernesto Geisel (1969-1973) para tranquilizar seus ouvintes.

"Temos que abrir a economia ao comércio mundial. Mas eu tenho dito em todos os fóruns e as senhoras e os senhores sabem disso: se nós não reorganizarmos o sistema tributário, uma abertura da noite para o dia do nosso país vai acabar com a nossa indústria (aplausos). (...) Então eu tenho me socorrido sempre daquilo que o presidente Geisel falava sobre outra abertura, que aconteceu nos anos 1970: ela tem que ser lenta, gradual e segura. A partir daí, vamos competir sim".

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