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Nota da SUSAM é desmentida por pais de bebê morto durante velório com cardiopatia em Manaus

Na manhã desta quinta-feira (16), aos três meses de vida, Helena Vitória Pascoal da Silva morreu no Hospital Francisca Mendes, em Manaus. Ela deveria ter passado por um cirurgia na noite anterior, quarta-feira, mas não foi submetida ao procedimento por falta de estrutura hospitalar, segundo a equipe médica e familiares.

Foto> Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

O bebê aguardava uma cirurgia que nunca foi feita. Na última semana, o procedimento foi suspenso por conta de uma infecção urinária. Remarcada para esta quarta-feira (15), a cirurgia não aconteceu porque o Hospital Francisca Mendes não tem leitos disponíveis na UTI pediátrica. Três deles, no momento, estão interditados devido a um vazamento do telhado do centro médico.

O óbito foi registrado oficialmente às 9h15 desta quinta. Como causa da morte, consta choque cardiogênico - quando o coração não é mais capaz de bombear sangue. As outras condições especificadas foram previamente detectadas pela equipe médica do hospital.

Em nota inicialmente divulgada à imprensa, a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) afirmou que a criança passou por cirurgia "mas não resistiu ao pós-operatório". Pais, avós e tios de Helena, além da equipe médica, contradisseram o órgão.

A família, revoltada com a situação e para reforçar que o bebê nunca passou pela cirurgia que precisava, abriu o caixão dentro do velório para mostrar que o tórax de Helena não possui cicatrizes.

Mãe da Criança, Regiane Pascoal da Silva, de 35 anos, relatou, durante o pequeno funeral que aconteceu no fim da tarde desta quinta, a luta ao lado da filha cardiopata.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

"Minha filha nunca foi operada. Hoje, às 6h da manhã, deram um antibiótico para ela. Quando vi, minha filha estava 'durinha'. Não conseguia se mexer. Chorou só um pouquinho. Tentaram reanimar ela, mas não conseguiram. Minha filha esperou muito tempo a cirurgia e não conseguiu. Dois meses esperando e nunca saiu. Nos falaram que não tinha material para fazer cirurgia dela. Ela aguentou muito. Sofri junto com a minha filha no leito. Ela não respirava direito. Não foi fácil para mim e nem para minha filha. Agora ela se foi, não tem mais volta", relatou a mãe, ainda no velório.

O pai de Helena chorou ao afirmar que a filha morreu após tomar uma dose de antibiótico horas antes do óbito. A bebê, de fato, tomava antibióticos devido à infecção urinária previamente detectada. A equipe médica confirma o manuseio da medicação e detalha o quadro clínico.

"A bebê tinha um coração com um quadro muito delicado. Muito frágil. O coração dela não se desenvolveu. Um quadro grave de não desenvolvimento de válvula intra-útero, chamado atresia tricúspide. Na semana passada, a cirurgia foi adiada. Ela teve uma infecção e estava em tratamento", esclareceu um cirurgião.

A equipe médica responsável pela paciente relatou, também, que o hospital tem três leitos da UTI pediátrica "bloqueados" por conta de um vazamento. A notícia foi dada à equipe médica no início desta manhã, antes do óbito.

A Susam, em nota inicial de resposta ao questionamento, confirmou a falta de leito na UTI. Na mesma nota, o órgão repassou a informação errada sobre a causa da morte do bebê. Em outra versão de comunicado, enviado a outra equipe de jornalismo, a secretaria afirmou que "a criança não morreu na fila de cirurgia, mas sim de complicações no pós-operatório". Nenhuma das versões estava certa.

Após pedido de esclarecimentos, a assessoria voltou atrás e afirmou que a cirurgia ainda não havia sido feita devido ao "baixo peso" com o qual deu entrada na unidade e por apresentar infecção desde a unidade de origem, a maternidade Ana Braga, onde foram feito dois esquemas de antibiótico antes da transferência.

Em relação ao erro no primeiro posicionamento à imprensa, a Susam disse que "foi um equívoco e pedimos desculpas ao veículo e à família".

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