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Professores do Rio usam as redes sociais para compartilhar aulas

No dia seguinte que soube da hashtag #ComparilheUmaAula, o professor de matemática Deivison de Albuquerque estava com um vídeo no Facebook compartilhando uma aula sobre Teorema de Tales, voltada para os alunos do 9º ano, que estão com as aulas suspensas. A ideia da hashtag é da 6.ª Coordenadoria Regional de Educação do Município do Rio de Janeiro. O objetivo é disponibilizar, na rede social, atividades escolares para que os alunos não percam o ritmo de estudos.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

“A minha área, matemática, requer uma certa constância de estudos. Estamos em um momento complicado, que não sabemos quando retornaremos às aulas regulares. É muito importante manter os estudos, procurar videoaulas, para não ficar zerado”, diz o professor da Escola Municipal Alberto José Sampaio, na Pavuna, na zona norte do Rio.

O professor conta que recebeu mensagens não apenas dos próprios alunos, mas de estudantes de outras escolas que estavam em busca de atividades. Ele pretende continuar com os vídeos semanalmente. Segundo ele, a escola onde leciona passou a ter acesso a computadores apenas no ano passado, então, fazer exercícios online não é um hábito para a maioria dos estudantes.

“Acho que será bem novo para eles, eles precisam se acostumar. Por isso que videoaula na rede social acaba ajudando porque é algo que eles têm mais acesso. A rede social é mais acessível do que entrar na internet para procurar uma videoaula”, diz o professor.
Retorno dos pais

A professora 2º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Hildegardo de Noronha, em Anchieta, na zona norte do Rio, Camila Lima, também aderiu à hashtag e faz vídeos diários para os alunos.

“Eu alterno atividades de língua portuguesa e matemática. Explico de forma devagar o conteúdo para que a criança acompanhe. No final eu coloco uma atividade para eles reproduzirem no caderno”, diz. As aulas são compartilhadas também na página da escola e repassadas por mensagem para os pais, mães e responsáveis. “Eles dão um retorno muito bom. Retornam com fotos dos alunos estudando”, conta.

Camila diz que sabe que nem todas as crianças têm acesso à internet e que nem todos os pais têm disponibilidade para ajudá-las. Nessa etapa, as crianças têm, em média, 7 anos de idade. “Quando as aulas voltarem vamos fazer um apanhado de tudo que foi feito. Quando retornar à sala, de repente, vamos passar os vídeos de novo para que, quem não teve a oportunidade de ver, possa assistir”.

Os vídeos postados por professores com a hashtag estão sendo reunidos no Facebook na página da 6ª CRE na rede social

A professora do 1º ano do ensino fundamental Marianne Figueiredo é uma veterana das redes sociais. A página no Instagram Diário da Tia Mari tem mais de 45,4 mil seguidores. Ela leciona no Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Dr. Adelino da Palma Carlos, na Praça Seca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Desde a semana passada, ela compartilha aulas em vídeo pelo grupo de WhatsApp dos pais, mães e responsáveis. Esses vídeos ficam disponíveis também no Youtube.

“É no 1º ano [aos 6 anos de idade] que as crianças consolidam o processo de alfabetização. Compartilho vídeos relacionados a isso, áudios para os pais, com coisas que podem fazer em casa, orientando o que podem fazer com os recursos que têm”, diz.

A distância é novidade não apenas para os alunos, mas para os professores. “ A gente não se programou para isso, mas a gente vence a barreira da vergonha e faz como se estivesse conversando com as crianças. A minha proposta foi gravar vídeos, mas têm professores gravando áudios, outros que escrevem mensagens, cada um usa a ferramenta que pode neste momento”.

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