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Japão reconhece afetados por chuva radioativa como sobreviventes de Hiroshima

Justiça determina que 84 pessoas atingidas por "chuva negra" que caiu após bomba atômica, há 75 anos, terão direito a atendimento médico gratuito. Elas desenvolveram doenças como câncer e catarata devido à radiação.

Em 6 de agosto de 1945, um bombardeiro nuclear praticamente varreu Hiroshima do mapa
Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Às vésperas dos 75 anos do ataque nuclear dos Estados Unidos contra o Japão, um tribunal de Hiroshima reconheceu pela primeira vez, nesta quarta-feira (29/07), como sobreviventes da bomba atômica as pessoas atingidas pela "chuva negra" radioativa que caiu após o bombardeio à cidade, no final da Segunda Guerra Mundial.

Agora, 84 pessoas que ingressaram com o processo, todas com idades entre 75 e 96 anos, devem passar a receber os benefícios médicos dados pelo governo às vítimas do ataque, conhecidas localmente como hibakusha.

Após a guerra, o governo japonês determinou certas áreas como significativamente impactadas pelo ataque e ofereceu assistência médica gratuita às pessoas que viviam nesses locais na época.

Os coautores do processo estavam em áreas fora dessa zona, mas foram expostos à "chuva negra" radioativa após o ataque de 6 de agosto de 1945. Além disso, ingeriram água e alimentos contaminados, desenvolvendo doenças como câncer e catarata. À Justiça, eles argumentaram que sofreram danos à saúde semelhantes aos das pessoas das áreas designadas pelo governo como mais afetadas.

As autoridades de Hiroshima pediram que a ação fosse julgada improcedente, argumentando que "não há evidências científicas para sustentar que choveu fora da área ou que os demandantes foram expostos o suficiente para afetar sua saúde", de acordo com declarações coletadas pela agência de notícias japonesa Kyodo.

No entanto, o juiz Yoshiyuki Takashima considerou que não havia nada de "irracional" no pedido. "Documentos médicos mostram que os residentes estão sofrendo de doenças que se acredita terem ligações com a bomba atômica e que cumprem as condições legais exigidas para hibakusha", afirmou Takashima à emissora japonesa NHK.

A decisão é considerada rara. Entre 2015 e 2018, os afetados pela "chuva negra" haviam solicitado diversas vezes, sem sucesso, o certificado de hibakusha. Depois do veredicto desta quarta-feira, um homem saiu do tribunal e desenrolou uma faixa onde se lia "vitória completa", enquanto era aplaudido.

Os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki

Em 6 de agosto de 1945, o avião Enola Gay lançou, sobre Hiroshima, a primeira bomba nuclear da história. Um em cada cinco moradores da cidade (cerca de 140 mil pessoas) morreu em questão de segundos, e Hiroshima foi praticamente varrida do mapa.

Três dias depois, os americanos lançaram uma segunda bomba, sobre Nagasaki. A cidade de Kokura era o alvo original do ataque, mas o tempo nublado fez com que os americanos mudassem o plano. Cerca de 74 mil pessoas morreram.

A detonação da bomba atômica ainda é um dos temas mais debatidos da Segunda Guerra Mundial. Muitos defendem que ela foi necessária para pôr fim à guerra no Pacífico e salvar milhares de outras vidas, enquanto outros sustentam que o Japão teria se rendido de qualquer forma.

Até março deste ano, o governo japonês havia reconhecido 136.682 pessoas como hibakusha, incluindo as que moravam tanto em Hiroshima quanto em Nagasaki. Na próxima semana, o Japão realizará cerimônias que marcarão o 75º aniversário dos dois bombardeios.

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