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Projeto ‘Sabões e sabonetes sustentáveis’ vence Chamada de Soluções Sustentáveis para Amazônia

Contribuir para a conservação do meio ambiente e gerar renda para a população do município de Itacoatiara (distante 176 km de Manaus) são os objetivos do projeto “Sabões e sabonetes sustentáveis”, vencedor da Chamada de Soluções Sustentáveis para Amazônia, promovida pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (SDSN Amazônia), em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Um evento virtual de premiação foi realizado nesta terça-feira (28), para reconhecer as iniciativas de maior destaque que participaram da chamada.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

O projeto, coordenado pelo universitário do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia (ICET) da UFAM, Sidney Guerreiro de Souza, estuda o desenvolvimento de sabões e sabonetes utilizando triglicerídeos que são descartados de forma irregular no Rio Amazonas. A pesquisa busca compreender quais fatores levam restaurantes e lanchonetes ao desperdício exagerado de óleos usados nas frituras de seus produtos e quais benefícios poderiam ser extraídos na utilização de triglicerídeos para preservar o rio, que é a fonte de vida essencial da América do Sul.

“Como o consumo de óleo era grande, isso acabaria refletindo no Rio Amazonas, porque ele era jogado diretamente e indiretamente também. Por isso, tivemos a ideia de fazer essa coleta e dar essa reeducação ambiental, justamente para fazer uma reintegração com a universidade, fazer a transformação desses óleos em sabões e sabonetes, e devolver para a sociedade através de um produto”, disse o estudante, que ganhou uma mobilidade nacional para participar de congresso, simpósio, fórum ou evento acadêmico.

Além do projeto vencedor, mais 9 soluções participaram da chamada, lançada em outubro do ano passado para valorizar, dar visibilidade e incentivar práticas propostas por estudantes, pesquisadores, professores e técnicos da UFAM, que contribuam para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na região.

“Essa chamada surgiu como uma estratégia para mobilizar e incentivar os grupos internos da universidade a virem à público apresentar seus projetos e ações que pudessem ser interpretados e tomados como aceleradores ou soluções para as metas da Agenda 2030 com seus 17 objetivos”, explicou o professor da Faculdade de Ciências Agrárias da UFAM e ponto focal da SDSN Amazônia na universidade, Henrique Pereira.

O segundo colocado da chamada foi o projeto “Agricultura de quintais familiares urbanos em Tabatinga e Benjamin Constant no Estado do Amazonas”, desenvolvido pela professora do Instituto de Natureza e Cultura (INC) da UFAM, Maria Francisca Nunes de Souza. A solução propõe a utilização de plantas locais para promover o desenvolvimento sustentável, resgatar o conhecimento tradicional e induzir na área urbana dos municípios a retomada da atividade agroflorestal.


“No meio dessa pandemia, você vê o valor do projeto, porque trouxe mudanças no comportamento. Agora, você vai à feira e vê que as mulheres estão lá vendendo plantas medicinais como jambu, mastruz, hortelã, bem como algumas plantas ornamentais para purificar o ar”, contou a professora. Como premiação, ela garantiu uma vaga para o curso de imersão Jornada Amazônia, da Amazônia-Edu.


Em terceiro lugar, ficou a solução Atlas ODS Amazonas, do pesquisador Danilo Egle Santos Barbosa. O projeto é fruto de uma pesquisa de pós-doutorado desenvolvida no âmbito do Programa de Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia (PPG-CASA/UFAM) e consiste no levantamento de indicadores municipais relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

“A importância principal que nós do projeto vemos é a possibilidade de gestores públicos e da sociedade civil construírem através de uma governança multinível soluções para incrementar o desenvolvimento da região. Através da pesquisa, a gente faz esse levantamento, discute esses indicadores, e convida pesquisadores, servidores públicos e membros da sociedade civil para discutir, nos lançamentos dos boletins que nós fazemos todos os meses, os indicadores e também possíveis soluções. Acredito que o projeto contribui bastante na reflexão, no debate e também na localização e territorialização dos ODS”, afirmou Barbosa.

Os projetos “Valoração econômica de serviços ambientais para comunidades em áreas de concessão de florestas públicas na Amazônia”, do professor Sergio Luiz Ferreira Gonçalves, e “Cafeicultura amazonense”, do professor Moisés Santos de Souza, ficaram empatados em quarto lugar.

Para o reitor da UFAM, Sylvio Puga, o evento de premiação foi uma celebração da ciência na Amazônia. “Temos que festejar ao ver aqui apresentados os trabalhos que foram avaliados por um comitê científico externo à nossa instituição, com o mais rigoroso critério”, destacou.

As soluções participantes da chamada foram avaliadas pelo Comitê Técnico-Científico da SDSN Amazônia, presidido pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Adalberto Luis Val.

Além de ter concorrido à premiação, todos os projetos aprovados serão publicados na Plataforma de Soluções da SDSN Amazônia (maps.sdsn-amazonia.org/), uma plataforma online, georreferenciada e trilíngue (português, espanhol e inglês) que divulga iniciativas sustentáveis propostas por organizações públicas, universidades, institutos de pesquisa e organizações não-governamentais que fazem parte da rede.

Sobre a SDSN Amazônia

A SDSN Amazônia é uma rede que visa integrar os países da Bacia Amazônica, mobilizando universidades, organizações não governamentais, centros de pesquisa, instituições governamentais e privadas, organizações multilaterais e sociedade civil para promover a resolução prática de problemas para o desenvolvimento sustentável da região. A iniciativa faz parte da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU (SDSN Global) e tem a secretaria executiva realizada pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS). 

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