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Unidades de conservação recebem cestas básicas e kits de higiene durante expedição promovida pela FAS para prevenção da Covid-19


A iniciativa faz parte da ação “Aliança Covid-Amazonas dos povos indígenas e populações tradicionais e organizações parceiras para o enfrentamento do coronavírus”, que nesta etapa atendeu as UCs RDS Canumã e FE de Maués.

Foto: Divulgação/  BLITZ AMAZÔNICO 

O estado do Amazonas enfrentou no segundo trimestre de 2020 uma situação de calamidade e colapso do sistema de saúde durante a pandemia da Covid-19. Em meio aos problemas provocados, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), juntamente com parceiros, vem promovendo expedições para auxiliar ribeirinhos impactados pelo novo coronavírus. Por meio do projeto “Aliança Covid-Amazonas dos povos indígenas e populações tradicionais e organizações parceiras para o enfrentamento do coronavírus”, a FAS tem distribuído cestas básicas e kits de higiene às comunidades. Recentemente, uma expedição foi realizada para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Canumã e Floresta Estadual (FE) de Maués, beneficiando mais de mil famílias. 

Os itens alimentares foram doados pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU e pelo Carrefour, e os produtos de higiene, com apoio das Havaianas e P&G. A iniciativa, que recebeu apoio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amazonas (Sema), também contou com a doação de outros materiais pela FAS, como combustível para garantir o deslocamento de ambulanchas em caso de emergência ou necessidade.

Outro parceiro foi o Universo Americanas (composto por Americanas, B2W Digital, IF – Inovação e Futuro, Ame e LET´S), que criou um programa de auxílio às populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia durante a pandemia e já doou 300 mil máscaras, 1.000 oxímetros e 21,5 mil unidades de álcool em gel (500 ml) com o objetivo de ajudar na higienização e combate ao avanço da Covid-19 na região.

A primeira a ser beneficiada foi a RDS do Canumã, formada por 469 famílias. Em Maués, um total de 813 famílias, compostas por 22 comunidades, foram atendidas e todos os kits devidamente entregues a cada uma delas. Entre os itens recebidos havia: álcool em gel, água sanitária, absorvente, máscara, sabonete, papel higiênico, shampoo e condicionador, lenço umedecido, enxaguante bucal e barbeador. Durante a expedição, os ribeirinhos também receberam cartazes que continham orientações acerca da utilização e manutenção de itens de segurança, como máscaras de proteção respiratória, e de hábitos de higiene que precisam seguidos à risca neste momento. 

Mudança de rotina nas comunidades

Durante os meses mais críticos da pandemia, a FAS se viu obrigada a paralisar suas atividades para não colocar em risco a vida das pessoas. Agora, ao retomar as ações, o foco se vale exatamente no combate à disseminação do vírus e à prevenção da doença nas unidades de conservação atendidas pela Fundação. Segundo a coordenadora Jousanete Dias, os moradores das duas UCs desta última etapa da Aliança estão mais tranquilizados quanto à contaminação, mas continuam se prevenindo. “Num primeiro momento as pessoas ficaram desesperadas, muitas já pensando que não teriam nenhuma oportunidade de sobrevivência e se sentiram abandonadas, mas agora estão mais tranquilas”, comenta. 

Mesmo assim, o impacto econômico e financeiro ainda pode ser sentido nas comunidades. Segundo Amadeu Olímpio Filho, morador da comunidade Barra Mansa na RDS Canumã, a ajuda chega em uma boa hora. “Fico muito grato por terem nos trazido essas cestas básicas em um momento tão difícil que estamos passando, principalmente as famílias carentes. A gente tem a nossa produção de farinha aqui, mas não consegue vender, porque a gente tem medo de ir na cidade e ser contaminado”, lamenta. 

A produção de farinha de mandioca, essencial à economia e alimentação das comunidades tradicionais, também sofreu diminuição na FE de Maués. É o que conta Simone de Oliveira, da comunidade Nossa Senhora Aparecida: “Não conseguimos mais produzir tanto quanto antes, porque a gente não pode ficar aglomerado, então sentimos no bolso a dificuldade. Mas graças a Deus tivemos esses parceiros e pudemos contar com a ajuda deles e da FAS”. De acordo com ela, outros hábitos cotidianos também foram alterados. “As viagens diminuíram e a gente teve que ter a consciência de manter o distanciamento, lavar as mãos, ter mais higiene em casa e aprender a se preocupar mais com o próximo”, explica. 

O auxílio às comunidades não chegou apenas em forma de doações. A FAS sabe da importância de orientar as famílias a respeito das melhores formas de prevenção, ato que realiza desde a retomada das atividades nas UCs. “A partir do momento em que entramos nas comunidades, começamos a orientar sobre a Covid. Em locais que eles têm acesso a internet, por exemplo, nós repassamos as informações para os grupos de WhatsApp, então procuramos ajudá-los da melhor forma possível”, afirma Jousanete. 

Fortalecimento e próximos passos

Morador da comunidade Pindabaú, na RDS Canumã, Emerson Moreira sabe que o mundo inteiro passa por dificuldades, mas o fato de estar localizado geograficamente em uma região isolada, agrava a situação. “A gente que mora no meio da floresta se sente distante de tudo e todos, e quando vê ações concretas como essa das cestas básicas doadas pelo Programa Mundial de Alimentos, por meio do Carrefour em parceria com a FAS, começa a se sentir mais fortalecido e esperançoso diante das dificuldades. Isso não quer dizer que essas cestas vão resolver todos os nossos problemas, mas minimizam o impacto, e agora a gente espera retribuir a ajuda de alguma forma”, diz.

A próxima etapa da expedição será realizada ainda no mês de agosto na RDS do Uatumã, onde serão entregues cestas básicas e combustível a 20 comunidades, por meio de recurso financiado pela Embaixada da França, mais uma parceira da Aliança. Jousanete considera tais ações de suma importância para as comunidades. “São pessoas que se encontram em uma situação de extrema vulnerabilidade e que têm valor voltado à conservação ambiental, então essa ajuda é mais do que justa. Além disso, ter esses parceiros na Aliança é engrandecedor para auxiliar as pessoas e contribuir para a valorização da floresta em pé”, afirma.

A iniciativa também teve apoio da Swarovski (por meio do projeto Escolas D’ Água), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Secretarias de Estado do Meio Ambiente e da Saúde do Amazonas, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (Funati), Fundação Avina, Fundação Moore e OAK Foundation.

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