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Ataque com arma branca deixa dois feridos perto da antiga sede do Charlie Hebdo em Paris

Quase seis anos após o atentado ao Charlie Hebdo, um ataque com arma branca deixou dois feridos nesta sexta-feira (25) perto da antiga sede do semanário satírico em Paris. Um "suspeito" foi rapidamente preso pela polícia e uma segunda pessoa foi posteriormente detida.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Um primeiro balanço da polícia indicava quatro feridos, dois deles quais em situação de "urgência absoluta", antes de ser revisado para baixo.

Um suspeito foi detido pela polícia perto da Place de la Bastille, perto das antigas instalações do semanário que foi alvo de um sangrento ataque jihadista em janeiro de 2015 e que desde então se mudou para um local secreto.

Uma segunda pessoa foi levada sob custódia policial pouco depois, informou à AFP uma fonte judicial.

Um perímetro de segurança foi estabelecido em torno da antiga sede do Charlie Hebdo em razão da presenta de um "pacote suspeito", segundo a polícia.

A promotoria antiterrorista francesa anunciou que assumirá a investigação, aberta por "tentativa de homicídio vinculada a um ato terrorista" e "associação criminosa terrorista".

A brigada antigangues foi mobilizada e o laboratório central da polícia se dirige ao local do ataque, informou a sede da polícia, pedindo que a população "evite a área".

Uma célula de crise foi aberta no ministério do Interior, para onde o ministro Gérald Darmanin e o primeiro-ministro Jean Castex devem ir "com urgência". 

Cinco escolas com milhares de alunos também foram confinadas dentro do perímetro, informou à AFP a secretaria de Educação de Paris.

A rua Nicolas Appert, onde ficava a revista satírica, está bloqueada, com policiais armados posicionados no local.

"Dois colegas fumavam um cigarro perto da entrada do prédio, na rua. Eu ouvi gritos. Fui até a janela e vi um dos meus colegas, manchado de sangue, sendo perseguido por um homem com um facão na rua", testemunhou um funcionário da Agence Premières Lignes, que tem sede na rua.

"Por volta do meio-dia saímos para almoçar num restaurante. Quando chegamos, a dona começou a gritar 'corram, corram', tem um atentado... A gente correu e se escondeu dentro da nossa loja com quatro clientes", contou à AFP Hassani Erwan, de 23 anos, um cabeleireiro.

"Extremamente chocado com o atentado assassino perto das antigas instalações do #CharlieHebdo, em um bairro de Paris que já pagou um alto preço pela violência terrorista", reagiu no Twitter a presidente da região Île-de-France, Valérie Pécresse.

- Ameaças recentes -

O ataque ocorre em um momento em que a equipe do Charlie Hebdo é alvo de novas ameaças desde que republicou as charges Maomé em 2 de setembro, por ocasião da abertura do julgamento, programado até 10 de novembro, dos ataques de janeiro de 2015.

Após uma breve suspensão do julgamento, a audiência desta sexta-feira foi retomada sem qualquer menção pelo Tribunal Especial de Paris sobre este ataque, de acordo com um jornalista da AFP. 

No início da semana, a diretora de recursos humanos do Charlie Hebdo, Marika Bret, precisou deixar sua casa por causa de ameaças consideradas graves.

Após as ameaças, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, pediu a "reavaliação das ameaças que pesam sobre jornalistas e colaboradores do Charlie Hebdo". 

Uma centena de meios de comunicação (jornais, revistas, canais de televisão e estações de rádio) publicaram uma carta aberta na quarta-feira pedindo aos franceses que se mobilizem em favor da liberdade de expressão.

Em 7 de janeiro de 2015, os irmãos Said e Cherif Kouachi atacaram a redação do Charlie Hebdo, matando 12 pessoas, incluindo os famosos cartunistas Cabu e Wolinski, antes de fugirem.

Sua jornada assassina terminou em uma gráfica em Dammartin-en-Goële, no subúrbio parisiense, onde se refugiaram antes de serem mortos pelo GIGN, o grupo de intervenção da gendarmaria francesa.

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