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Defensoria Pública do Estado ouve demandas de pessoas com Transtorno do Espectro Autista

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) recebeu, nesta quarta-feira (21), representantes de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), para ouvir demandas e construir conjuntamente as próximas atividades do projeto “Nosso Coração também é Azul”.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Lançado em abril de 2019, o projeto tem como foco criar ações para colaborar com a conscientização sobre o autismo, compartilhando experiências das pessoas com o transtorno e promovendo o acolhimento das famílias. O projeto inclui, ainda, a oportunidade de estágio remunerado na instituição. 

O encontro com representantes da comunidade foi realizado de forma mista, com participantes presentes na sede da DPE-AM, na avenida André Araújo, Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus, e participações por videoconferência. Foram seguidos todos os protocolos de segurança, visando a prevenção à Covid-19. 

“Recebemos as lideranças, as mães de autistas, para ouvir suas demandas, entre as quais podemos citar, como uma das principais, a presença do mediador na educação, nas redes de ensino pública e privada, para o acompanhamento de crianças e adolescentes do espectro do autismo. Além de ouvir essas demandas, estamos construindo conjuntamente a seleção dos próximos estagiários do projeto”, explica o defensor público Rodolfo Lobo, coordenador de Projetos e Programas da Defensoria. 

Desde seu lançamento, o projeto “Nosso Coração também é Azul” já realizou uma série de eventos sobre autismo, incluindo rodas de conversa e palestras, além de criar oportunidade de experiência profissional para jovens com TEA. Após dois processos de seleção, quatro pessoas já foram contratadas para um estágio em setores diversos da Defensoria. Duas delas tiveram o estágio renovado e já cumpriram todo o período. Outras duas seguem estagiando. 

Durante a reunião desta quarta-feira, representantes da Associação Mães Unidas pelo Autismo no Amazonas (Amua) e outros participantes relataram as dificuldades enfrentadas para fazer valer direitos já previstos em lei, como a presença do mediador nas escolas e o respeito à prioridade de vagas para estacionamento, entre outros. Também foram abordadas questões como a importância de municiar a sociedade com informações para a compreensão do que é o autismo e quais são os direitos da pessoa com TEA. 

“Se o autista não tiver o acolhimento correto, ele desregula, ele regride”, disse Raimunda Nonata Nogueira de Souza, mãe de um autista de 29 anos. 

Experiência transformadora 

Para Nivaldo Lustosa Cabral Neto, um dos estagiários aprovados no primeiro processo seletivo e que cumpriu seu estágio no setor de Tecnologia da Informação (TI), o projeto da Defensoria se tornou uma experiência a mais no currículo dele. “Me trouxe muito conhecimento. Acho que o mais importante para a inclusão de mais pessoas é que os gerentes conheçam cem porcento do que têm em mãos. No caso, todas as partes que envolvem o TEA e como ele está se manifestando no estudante. Essa iniciativa tem que partir de outras pessoas para que eles estudem e entendam isso”, afirmou. 

A psicóloga da Defensoria Luciana Peixoto explica que, antes do início do estágio, os servidores do núcleo onde o autista atuará passam por uma preparação para a sensibilização da equipe, que recebe também orientações sobre as necessidades especiais relatadas pelos estagiários e seus familiares durante a entrevista realizada no processo seletivo. Os servidores também são orientados em relação à necessidade de adaptação de recursos visuais, sobre a forma de comunicação mais adequada e maneiras de delegar e cobrar tarefas. Posteriormente, a equipe de psicologia da DPE-AM faz uma verificação da implementação das adaptações. 

“Todos correspondem muito bem às expectativas, são muito dedicados. Dentro da limitação do seu espectro de autismo, eles têm conseguido corresponder com a expectativa da instituição e eles próprios têm visto que o estágio é muito importante para o currículo, para a carreira, como experiência profissional”, avalia Luciana Peixoto. 

Destaque 

A Defensoria do Amazonas foi destaque no III Congresso de Atuação Interdisciplinar nas Defensorias Públicas do País, realizado em agosto de 2019 no Rio de Janeiro, com a apresentação de dois projetos selecionados pela organização do evento. Um deles era o “Nosso Coração também é Azul”. Juntamente com o projeto “Um Novo Amanhã”, destinado ao atendimento dos segmentos vulneráveis como crianças, adolescentes e idosos, o “Nosso Coração também é Azul foi apresentado na mesa do congresso, que debateu “Articulações interdisciplinares”. 

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