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Tecnologia rompe barreiras na Amazônia e instituições promovem “telemutirão” com diversos profissionais da saúde

No interior do Amazonas, a união entre tecnologias da informação e comunicação e a área da saúde já é uma realidade.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

A prova está em um verdadeiro “telemutirão” realizado por profissionais de saúde de diversas especialidades para atender remotamente 12 pacientes da comunidade Tumbira, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, coordenada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A iniciativa de “teleatendimento”, idealizada para evitar o deslocamento de profissionais e pacientes até as cidades durante a pandemia de Covid-19, foi executada pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em parceria com a Americanas, por meio do Projeto Conectividade.

O intuito foi auxiliar o trabalho de agentes comunitários de saúde e técnicos de enfermagem da comunidade durante e após a pandemia. Médico, enfermeiro, nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, assistente social, educador físico e psicólogo foram algumas das especialidades que fizeram parte do “telemutirão” de consultas online. A ação contou com a mobilização de profissionais da saúde de instituições como a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a secretaria municipal de saúde (SEMSA) de Iranduba. Além disso, uma microscopista compareceu presencialmente ao local para realizar testes rápidos de Covid-19.

Em comunidades que enfrentam inúmeras barreiras de acesso à energia elétrica, conectar-se à internet para se consultar com tantos profissionais foi um trabalho que demandou esforços coletivos. Segundo a supervisora do projeto de telessaúde da FAS, Kelly Souza, a ação mostrou-se um sucesso ao criar, de forma democrática, uma maneira eficaz de acesso a esses serviços. “Não é só apertar um botão e ligar o computador para realizar o atendimento; esse foi um processo longo, com toda uma articulação em conjunto, pois estamos aqui para criar pontes e conectar pontos de telessaúde para melhor atender quem precisa”, diz. 

Mais saúde para o Tumbira

Com um total de 35 famílias, a comunidade Tumbira foi um dos locais que, segundo Kelly, realizou mais rapidamente o isolamento durante o início da pandemia. “Enquanto o número de infectados em outros lugares crescia e Manaus já sofria com o surto, os comunitários do Tumbira conseguiram se resguardar. Isso fez com que a secretaria de saúde se preparasse e os agentes tivessem tempo para atender de forma mais coesa, equilibrada e estratégica”, o que facilitou também o trabalho remoto.

O médico clínico geral Carlos Alejandro e o enfermeiro Diego Queiroz participaram juntos do “telemutirão” e realizaram atendimento online diretamente do município de Iranduba/AM. O médico, natural de Cuba, aprovou prontamente o teleatendimento e afirmou que, em 30 anos de profissão, foi a primeira vez que realizou esse tipo de atendimento, mas que pretende continuar atendendo pacientes via computador. 

Para o enfermeiro Diego, que demonstrou satisfação com os resultados, o projeto serviu para complementar a saúde municipal. Entretanto, ele afirmou que alguns ajustes ainda precisam ser feitos. “Houve certa dificuldade de comunicação com outros profissionais por conta de falhas de conexão e, além disso, alguns pacientes precisaram de uma intervenção mais rápida com medicamentos. Mas, no geral, a experiência foi positiva, porque o teleatendimento rompeu barreiras logísticas e representou uma economia de deslocamento para todos”.

Da relutância ao apreço

Não foi apenas o processo de logística, infraestrutura e aquisição de equipamentos que mostrou-se desafiante para a ação. É natural que uma modalidade tão nova e com algumas desvantagens - como a incapacidade de realizar exames físicos e a falta de familiaridade com novas tecnologias por parte de comunitários - também gerasse um sentimento de relutância nas pessoas.

É o que explica a agente comunitária de saúde, a jovem Krisiane Brito do Nascimento, uma das responsáveis por acompanhar o processo: “Nem todo mundo entende e tem gente que diz que não funciona por ser a distância. Mas nós corremos atrás, avisamos a comunidade, conseguimos trazê-los e ficamos muito felizes por essa conquista. Acredito que as pessoas que foram atendidas hoje vão estimular outras a virem nas próximas consultas”. Daqui em diante, segundo ela, esse tipo de atendimento deverá ocorrer duas vezes por semana.

O que antes era visto com apreensão pela professora Inês Cristina Alencar, agora transformou-se em uma experiência a ser repetida. Ela tinha receio de não gostar do teleatendimento, mas resolveu romper o preconceito e levou pela primeira vez o filho de seis anos para uma consulta online com um psicólogo e um fonoaudiólogo. “Tudo que é novo assusta e antes os médicos e enfermeiros vinham presencialmente quase todo mês, então foi um impacto receber a notícia de que os atendimentos estão sendo pelo computador. Mas eu vi que deu certo e a parede que eu tinha formado dentro de mim praticamente se destruiu hoje”.

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