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Cibele Mateus discute busca por identidade negra dentro do riso

A importância das tradições brasileiras e a busca por uma expressividade cômica que contemple os corpos negros são alguns dos temas que a artista paulista Cibele Mateus vai abordar neste domingo (06/12), durante o seminário internacional do projeto “Maloc@ - Palhaçaria Feminina”, que acontece de forma online e gratuita.

Foto: Divulgação / BLTZ AMAZÔNICO

A atividade inicia às 16h (horário de Manaus), na plataforma Zoom. Mais informações: http://bit.ly/malocaAM.

Nascida em São Bernardo do Campo, Cibele Mateus desenvolve trabalhos teatrais com ênfase na pesquisa de expressões tradicionais brasileiras e na arte de rua. 

A história dela com o teatro começou ainda na adolescência, quando teve contato com o circo e a Commedia dell’arte. Mas logo veio o incômodo: como mulher negra e periférica, Cibele não se via representada nessas expressões “importadas”.

Depois de fundar um grupo de teatro de rua para responder a essas inquietações, ela teve a oportunidade de conhecer algumas tradições afroindígenas, como o coco, jongo, maracatu e carimbó. 

Até que em 2011, colaborando com o Grupo Manjarra, Cibele iniciou sua trajetória como Mateus, figura cômica do Cavalo Marinho, brincadeira centenária da Zona da Mata Norte de Pernambuco.

“Quando eu conheci o Cavalo Marinho me encantei muito, me apaixonei, e disse ‘É isso, esse é o artista que eu busco ser, e ele está aqui no Brasil’. Por meio dessa brincadeira, encontrei aquilo que vinha buscando”, lembra.

VISIBILIDADE

Segundo a atriz e educadora, a palhaçaria e a linguagem cômica ainda têm muito a avançar no Brasil, principalmente na área da formação e da criação de espaços de visibilidade.

“Em muitas escolas e espaços o que se ensina de palhaçaria ainda é hegemônico, da hegemonia branca, ainda existe uma única visão do que é ser palhaço, com uma mesma escola e uma mesma técnica. Pouca gente dentro da palhaçaria sabe o que é o Mateus, sabe o que é o Reisado, o Cavalo Marinho, uma Congada”, afirma Cibele.

Para ela, a comicidade negra se situa em lugares diferentes dos impostos por uma visão colonizadora do riso, por isso é importante buscar nas nossas raízes uma identidade cênica própria.

“Temos narrativas diferentes, então precisamos avançar na construção de outras narrativas que não são somente essas que são dadas. Precisamos construir para a população outros imaginários de comicidade”, conclui.

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