Últimas

FEMINICÍDIO – a mudança de cultura é responsabilidade de todos nós.

O feminicídio é um atraso cultural e social. É lamentável que nos dias de hoje ainda vivenciemos essa infeliz realidade; acordar no dia 25 de dezembro com a notícia do feminicídio da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, na frente das três filhas menores, no momento em que levava as crianças para passarem a noite de Natal com o pai, é estarrecedor.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Assistir ao vídeo do momento do crime que mostra os gritos das crianças implorando para o pai não matar a mãe é desesperador. A sensação é de impotência, sobretudo quando percebemos que esse não foi um fato isolado.

Além de Viviane, foram noticiadas mais 5 vítimas de feminicídio neste Natal: Thalia Ferraz, 23, de Jaraguá do Sul (SC); Evelaine Aparecida Ricardo, 29, de Campo Largo (PR); Loni Priebe de Almeida, 74, de Ibarama (RS); Anna Paula Porfírio dos Santos, 45, de Recife (PE); e Aline Arns, 38, de Forquilhinha (SC).

Essas mortes escancararam uma ferida social, deixando evidente que a violência contra as mulheres não escolhe raça, classe social ou faixa etária.

Triste acreditar que muitos homens no passado foram absolvidos pelo assassinato de mulheres sob a absurda fundamentação de “legítima defesa da honra”.

Não faz muito tempo, na véspera do ano novo de 1976, Doca Street matou sua namorada Ângela Diniz, confessou o crime e se defendeu alegando legítima defesa da honra. O júri acatou a tese e ele foi solto.

Indignado, o movimento de mulheres ganhou força e Doca Street foi submetido a novo julgamento em 1981, sendo finalmente condenado a 15 anos de prisão.

Evoluindo nas decisões judiciais, em 1991, o STJ consolidou o entendimento de que não mais seria aceito o argumento da legítima defesa da honra em crimes contra as mulheres.

Nossa legislação progrediu e, hoje, matar uma mulher não é mais motivo de excludente de ilicitude como antes, mas sim, considerado um crime mais grave, ou seja, o feminicídio configura um homicídio qualificado, com pena de 12 a 30 anos de reclusão e a Lei Maria da Penha é considerada pela ONU a terceira melhor lei de proteção às mulheres do mundo.

Mas esse avanço legal foi suficiente para resguardar a vida das mulheres?

Infelizmente não. Mesmo com boas leis, o Brasil ocupa a vergonhosa 5a posição no mundo em número de feminicídios, conforme ranking de 84 países estudados no Mapa da Violência de 2015.

Esses dados demonstram que não bastam leis para punir o agressor. É necessária uma mudança cultural que passa pela educação, pela consciência de que a lei deve ser cumprida e de que o machismo deve ser combatido desde cedo, não se admitindo pequenas “piadas” ou “brincadeiras” discriminatórias.

Como estamos educando nossas crianças? Precisamos refletir urgente!! A educação começa em casa e o machismo é estrutural e não está presente apenas nos homens. A luta contra o machismo é de toda a sociedade, homens e mulheres juntos pelo desenvolvimento de uma cultura de paz, respeito e igualdade.

Não podemos mais aceitar esse comportamento como normal. É hora de avançar e romper todo e qualquer pensamento enraizado em nossa cultura de que o homem é superior e tem direitos sobre a mulher, chegando, em último caso, a decidir se ela deve viver ou morrer. Já chega!

Nenhum comentário

Obrigado por comentar aqui.