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Grande SP regride e vai para fase laranja; vacinação para 80 a 84 anos inicia sábado

Em meio ao recrudescimento da pandemia em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) anunciou a antecipação da vacinação para idosos de 80 a 84 anos e de 77 a 79 anos e, ainda, a reclassificação para fases mais restritivas de seis regiões do Estado, incluindo a Grande São Paulo. As determinações ocorrem em um momento em que o Estado bate recordes de internações pelo novo coronavírus nas UTIs e terá, a partir desta noite, uma força-tarefa (chamada de "toque de restrição") para autuar e conter aglomerações entre as 23 horas e as 5 horas.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

O início da imunização de idosos de 80 a 84 anos foi antecipada em dois dias, com início para este sábado, 27, a exemplo do que foi definido pela Prefeitura de São Paulo. Além disso, a vacinação da população de 77 a 79 anos foi adiantada para a quarta-feira, 3. As duas faixas etárias somam 993 mil pessoas. Até as 12h40 desta sexta-feira, São Paulo aplicou 2.245.428 vacinas, das quais 489.446 foram em pessoas que receberam a segunda dose.

Além disso, Doria anunciou a reclassificação de seis regiões do Plano São Paulo, que regrediram para fases de maiores restrições. A Grande São Paulo e as regiões de Campinas, Sorocaba e Registro saíram da fase amarela para a laranja. Nesse faseamento, todos os estabelecimentos liberados pela amarela podem funcionar, mas até as 20 horas (em vez de 22 horas), com até 40% de ocupação, funcionamento de até 8 horas por dia e, no caso dos bares, não é permitido servir bebidas (apenas refeições).

As regiões de Marília e Ribeirão Preto foram da laranja para a vermelha, na qual seguem as de Bauru, Araraquara, Presidente Prudente e Barretos. Segundo o governo, 76% da população estadual está na fase laranja, enquanto 9% na amarela e 15% na vermelha. Somente a região de Piracicaba teve melhora e foi para a fase amarela.

As demais não tiveram mudanças. As regiões com piores taxas de ocupação de UTI são as de Bauru (92,3%), Presidente Prudente (90,5%) e Araraquara (90,4%).

O Estado tem 2.014.529 casos e 58.873 óbitos por covid-19 confirmados. A taxa de ocupação é de 70,4% em UTI e de 51,2% em leitos de enfermaria, média que fica em 70,8% e 57,1%, respectivamente, na região metropolitana de São Paulo. Ao todo, são 6.767 internados com suspeita ou confirmação da covid-19 em leitos de UTI, o maior registro de toda a pandemia em São Paulo, que é 8% superior ao recorde de 2020, datado de julho. Além disso, outros 8.042 pacientes estão em enfermaria. "A segunda onda tem sido potencialmente mais trágica que a primeira. Isso é um fato, um fato triste", lamentou Doria.

A média diária de novas internações é de 1.740. Além disso, foi identificado um aumento em casos (6%) e óbitos (4%) na atual semana epidemiológica, que segue até sábado. Segundo o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, os registros devem se elevar nos próximos dias, especialmente por um possível represamento nos resultados dos testes.

O secretário destacou que, se as medidas restritivas não forem cumpridas e o crescimento de pacientes internados se mantiver, o Estado terá um esgotamento de leitos de UTI em 20 dias, o que pode ocorrer um dia antes na região metropolitana de São Paulo. “Nós temos o risco de colapsar, precisamos do apoio da população mais do que nunca”, ressaltou. “Não é só perder paladar, olfato, é perder a vida.”

Coordenador do Centro de Contingência, Paulo Menezes apontou que há um crescimento médio de 1,5% no número de internações em UTI diariamente no Estado. Para ele, se as medidas de restrição forem seguidas, é possível que impactem a tendência de aumento em uma semana, com a estabilização e início de decréscimo nas taxas.

São Paulo inicia força-tarefa contra aglomerações na noite desta sexta

Chamado de “toque de restrição”, o aumento das ações de fiscalização foi oficializado em decreto publicado no Diário Oficial desta sexta-feira, data em que também passou a vigorar. A determinação autoriza a Polícia do Estado de São Paulo a dispersar aglomerações, “sempre que constar reunião de pessoas capaz de aumentar a disseminação da covid-19”.

Não há detalhes do que caracteriza esse tipo de agrupamento. Em coletiva na quarta-feira, 24, contudo, o governador havia declarado que o foco são as médias e grandes aglomerações, especialmente as que reúnem mais de 100 pessoas.

O decreto também oficializa que as secretarias estaduais da Saúde e da Segurança Pública e a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) serão responsáveis pela fiscalização do cumprimento do Plano São Paulo, de acordo com as restrições previstas para cada região, como horário de funcionamento e ocupação máxima, dentre outras.

O descumprimento poderá ser configurado como infração sanitária, com base no Código Sanitário do Estado, o que implica em advertência, interdição parcial ou total do estabelecimento e pagamento de multa de R$ 290 a R$ 290,9 mil.

Além disso, a publicação também destaca que estão mantidas as penalidades contidas no Código de Defesa do Consumidor, que pode chegar a multa de R$ 10,2 milhões, e, ainda, em dois artigos do Código Penal. São eles: artigo 268, que prevê detenção de um mês a um ano e multa para quem "infringir determinação do poder público destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”, e artigo 330, que determina detenção de 15 dias a seis meses e multa para quem “desobedecer a ordem legal de funcionário público”.

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