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Após recorde de mortes, 54% dos brasileiros desaprovam bolsonarismo, revela pesquisa

O Datafolha revelou hoje (17.mar), que 54% de entrevistados reprovam a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia, e 43% o consideram pessoalmente responsável pela crise. Somente 22% acreditam que ele faz um bom trabalho. Na avaliação geral, o governo é considerado ruim ou péssimo por 44%, voltando ao pior índice, registrado em junho do ano passado. Para 30% é ótimo ou bom. Em momento algum de seu governo o presidente teve reprovação tão alta.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

Esses números vieram no mesmo dia que outros ainda piores. O Brasil voltou a quebrar o recorde de mortes em 24 horas. Foram 2.798 óbitos registrados na terça-feira, embora geralmente esse seja o dia em que são computados todos os números de fim de semana. No total, já são 282.400 vidas perdidas, com a média móvel de 1.976 mortes em sete dias, mais um recorde. A tendência é de alta em todas as unidades da Federação, exceto Bahia e Roraima, onde há estabilidade, e Rio de Janeiro e Amazonas, que estão em queda. Foi o dia mais letal também em São Paulo, com 679 mortes, e no Rio Grande do Sul, com 502.

Segundo a Fiocruz, o Brasil vive o “maior colapso sanitário e hospitalar da história”, com ocupação de leitos de UTI acima de 80% no DF e em 24 estados, 15 deles com ocupação acima de 90%.

O futuro ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se apresentou na manhã de ontem afirmando que atuará pela continuidade do trabalho feito pelo ainda ministro Eduardo Pazuello. A política de combate à pandemia, ele afirmou, “é do governo Bolsonaro, não do ministro da Saúde”. À tarde defendeu novas medidas com base “no melhor da evidência científica” e conclamou a população a usar máscaras — a mesma máscara que, durante sua entrevista, ele próprio, feito um amador pouco habituado, permitiu que escorregasse expondo displicente seu nariz.

A ideia de que ‘o programa é do governo’ foi endossada num tom, um quê diferente pelo vice-presidente Hamilton Mourão. “O ministro é um executor das decisões do presidente da República”, disse o homem que assume o cargo caso Bolsonaro seja legalmente impossibilitado de ocupá-lo. “O presidente é o responsável por tudo o que aconteça ou deixe de acontecer.”

Escolha pessoal do presidente com o apoio do filho-senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Queiroga terá de conquistar a confiança do Centrão, que tinha muito interesse no ministério. “Não teremos paciência com ele. É acertar ou acertar”, disse sobre o médico o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM). “As respostas terão que ser rápidas e efetivas”.

Na coluna do Estadão: “Os primeiros movimentos de Queiroga decepcionaram parlamentares, governadores, gestores da área de saúde e a comunidade científica. Foram lentos e tímidos, indicando que a estratégia de Bolsonaro de, agora, evocar a vacina para continuar contra o confinamento será mantida. Sem lockdowns, será difícil interromper o contágio e, na prática, muita gente ainda vai morrer de Covid-19 no País. ‘Se continuarmos nessa política, vamos ficar contando mortos. A vacinação está lentíssima’, afirmou a epidemiologista Ethel Maciel.”

No que depender de Bolsonaro, Pazuello não voltará já para os quartéis. Depois da posse do sucessor, esperada para a próxima semana, o general deve ganhar um cargo, ainda não escolhido, no Palácio do Planalto.

A situação em São Paulo só se agrava. As medidas mais restritivas não conseguiram, por enquanto, aumentar os níveis de isolamento no estado e na capital, ambos em 42% na segunda-feira – o mesmo de uma semana antes, sem as restrições. A taxa de isolamento é medida pela movimentação de celulares na cidade, monitorada pelas operadoras. O que não para de aumentar é a ocupação nos leitos de UTI, que está em 89,9% no estado e 90,6% na capital.

Já o Rio, embora esteja com tendência de queda nas mortes, vem batendo recordes de pedidos de internação em UTIs por Covid-19. Para especialistas, as medidas adotadas pela capital e pelo estado, escalonando horário de comércio e permitindo ambulantes, são “receitas para um desastre”. Por outro lado, a vacinação na capital, que estava suspensa, será retomada amanhã, com divisão de dias por idade e gênero.

Mas há boas notícias. A Fiocruz entrega hoje, com a presença do atual e do futuro ministro da Saúde, as primeiras 500 mil doses da vacina Oxford/AstraZeneca produzidas no Brasil. Outras 580 mil serão entregues até sexta-feira, e a estimativa é produzir 3,8 milhões de doses ainda este mês. (UOL)

E técnicos da Anvisa se reuniram ontem com representantes do laboratório Janssen, com o qual o Ministério da Saúde acertou a compra de 38 milhões de doses de vacinas. O tema foi a autorização emergencial para uso do imunizante. (UOL)

Por falar em vacinação, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu que os professores e outros profissionais de educação sejam incluídos no grupo prioritário. Segundo ele, é uma solução para a retomada das aulas presenciais no país. (Poder360)

Fonte: Meio

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