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Mulher diz que torturou filho por envolvimento com drogas; ela já perdeu outros dois para o tráfico

O delegado Henrique Brasil, titular da 36ª Delegacia Interativa de Polícia, falou, nesta terça-feira (2), sobre o caso da mulher filmada agredindo o próprio filho, um adolescente de 14 anos, no interior do Amazonas. O caso foi em Rio Preto da Eva, município distante 57 km de Manaus. O adolescente teve cabelos e sobrancelhas raspadas enquanto era amordaçado por um homem e apanhava ouvindo xingamentos da mãe.


Imagens da agressão repercutiram nas redes sociais e dividiram opiniões. A mãe foi indiciada por tortura, conforme a Polícia Civil do Amazonas divulgou nesta terça.

De acordo com o delegado Henrique Brasil, a mãe submeteu o adolescente a um intenso sofrimento físico e mental -situação que a enquadra na lei de tortura. 

“Ela teve um excesso que configuramos como tortura. Ao tomarmos conhecimento do caso, fomos em busca dessa mãe e do adolescente e conseguimos localizar ambos. O menor estava na casa de outros familiares e a mãe em sua residência”, disse.

“Levamos a mãe para a delegacia, onde foi ouvida e justificou seus atos. Ela declarou que outros dois filhos são envolvidos com o tráfico de drogas e este terceiro, um adolescente, estava começando. Em uma atitude de desespero, a mãe disse não ter controlado suas ações”, explicou Henrique.

O delegado acrescentou que criminosos se valem da legislação brasileira, que protege o adolescente, fazendo o menor assumir crimes para proteger quem coordena, de fato, a ação criminosa.

“Não sabemos, ao certo, em que situação ocorreu essa tortura, se o adolescente já estava traficando ou auxiliando o tráfico. Fato é: os dois irmãos dele são envolvidos – um, inclusive, está foragido pelo crime de tráfico de drogas em Rio Preto da Eva. A mãe, com o intuito de tirar o único filho que sobrou desse mundo do crime, acabou excedendo seus atos e essa medida é punível”, informou o delegado.
Diferenças de opiniões

A partir do momento o vídeo chegou as redes sociais, a população ficou divida sobre o caso: uns concordam com as atitudes da mãe agiu e outras não. “Surgiram questionamentos sobre o trabalho da polícia e as Leis, por isso, após investigação iremos dar um retorno sobre a situação”, contou titular da delegacia de Rio Preto da Eva.

“Vale esclarecer que não tratamos da lei da palmada é sobre o crime de tortura que é previsto na Lei de 1997. Uma repreensão ao filho pode acontecer, tortura não. A lei está aí para nos nortear, não podemos fugir dela. Excessos precisam ser evitados para que situações como essa não repitam”, finalizou.
Sobre o julgamento

Segundo informações levantadas, a mãe do adolescente está consciente e justificou seus atos perante a polícia, porém isso não a impediu de ser indiciada no primeiro depoimento pelo crime. “Iremos robustecer o inquérito policial com mais provas, detalhes e informações para que o Ministério Público possa denunciar e o Judiciário fazer um julgamento justo”, afirmou Henrique.

“Se pegarmos somente o vídeo em que o adolescente é torturado, podemos ter uma conclusão, mas se pegarmos o contexto todo, do histórico familiar, os outros problemas que aconteciam, poderemos ter outra visão e isso pode influenciar em uma pena mais branda ou mais dolorosa. Vamos ouvir vizinhos e familiares para entender como culminou essa situação extrema”, acrescentou.

A criança, atualmente, está morando com outros familiares e a mãe em sua residência.

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