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Fórum apresenta propostas para incentivar a bioeconomia na Amazônia

O Fórum de Inovação em Investimento na Bioeconomia Amazônica (F2iBAM) encerrou na última sexta-feira, dia 25, reunindo mais 80 especialistas nacionais e internacionais, durante 10 dias com a realização de 16 painéis trilíngues (português, espanhol e inglês), que geraram mais de 8,3 visualizações no Youtube e vários debates importantes sobre bioeconomia, seus potenciais, gargalos e diversas vertentes.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

A segunda semana do fórum teve início na segunda-feira, dia 21, com um painel que tratou sobre proteínas alternativas. Os palestrantes colocaram em pauta o potencial que a Amazônia apresenta para a produção de proteínas alternativas, como os produtos que são usados como matéria-prima e o conhecimento tradicional das comunidades locais. Buscando maneiras de fomentar essa área, eles conversaram sobre incentivo ao capital humano para que as pessoas possam produzir mais e assim gerar renda. Também apresentaram projetos de proteínas alternativas com recursos da floresta, como o leite em pó da Castanha-do-Brasil e o consumo da carne de jacaré da Amazônia.

A terça-feira, dia 22, começou com um painel sobre uso de fitoterápicos e a medicina tradicional presente na Amazônia. Com a participação de atores de diferentes partes da cadeia da bioeconomia, o debate trouxe à tona as dificuldades enfrentadas para produção e comercialização de fitoterápicos e medicina tradicional, presentes na floresta há tantos anos. Os especialistas apresentaram projetos, ideias e soluções encontradas, o que ficou evidente a importância dos fitoterápicos para a economia da floresta, já que a produção pode beneficiar povos de comunidades tradicionais e indígenas se transformando numa fonte de renda, além de ser um reconhecimento da tradição que existe há milhares de anos. Os palestrantes concluíram que, para que esse cenário se desenvolva, é necessário investimento, reconhecimento do capital humano e melhor visibilidade dos produtos.

No painel realizado na tarde de terça-feira, a conversa foi sobre manejo do Pirarucu. Com o objetivo de trocar experiências sobre os benefícios da cadeia do pirarucu manejado, seus desafios e estratégias para que a rede seja fortalecida, os painelistas apresentaram o principal problema: a pouca valorização do produto. O manejo sustentável da espécie é uma das principais formas de sustento de famílias ribeirinhas, mas não recebe o devido retorno financeiro. O manejo do pirarucu é um dos exemplos de projetos com moradores da floresta que pode ser uma fonte de geração de renda, mas que ainda precisa dos investimentos certos para crescer e se solidificar, podendo assim ter seu valor reconhecido pelo mercado.

O primeiro painel da quarta-feira (23) tratou sobre a relação da indústria, partindo da Zona Franca de Manaus (ZFM), com bioeconomia. Buscando maneiras de fomentar a indústria no Amazonas fazendo uso dos produtos da floresta e a mantendo em pé, os painelistas debateram soluções já existentes e que possam ser receber mais investimentos. Colocando em pauta a necessidade de uma reformulação nos processos industriais para que a indústria local se desenvolva mais, possa chegar ao interior do Estado e para que os produtos da floresta tenham mais valor e passem a ser mais atrativos à indústria, como melhorias no primeiro elo da cadeia e na questão logística, os palestrantes demonstraram como a união dos conhecimentos tradicionais da floresta com os processos industrias e novas tecnologias pode ser um dos caminhos para fomentar a bioeconomia amazônica.

Já no segundo painel do dia o assunto foi a valoração da bioeconomia. Como já observado em outros painéis, a região amazônica apresenta grande potencial, como fazê-lo se tornar real foi o principal ponto da conversa. Para os painelistas, é preciso fazer com que a população se sinta incluída no processo, entendendo que faz parte dele e que é importante. A conversa com bancos e iniciativas que estejam dispostas a atuar na região também precisa ser alinhada, definindo objetivos e estratégias para que o potencial presente na Amazônia, como ser parte importante do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, realmente seja aproveitado. Na conversa, também destacaram que as ofertas de financiamento para impulsionar negócios locais, a educação e infraestrutura social são essenciais para que a região se desenvolva.

O penúltimo dia do F2iBAM trouxe um encontro relevante entre iniciativas que estão nascendo e que têm como objetivo em comum fomentar e auxiliar no crescimento da bioeconomia da Amazônia. Com o intuito de promover uma conversa entre essas iniciativas, para futuros trabalhos, o painel trouxe conversas sobre soluções para uma nova economia na Amazônia priorizando a floresta em pé e a população que a habita. Os especialistas falaram sobre a importância da união dos elos da cadeia, os empreendedores das comunidades, setores público e privado, iniciativas como as apresentadas, tudo isso aliado à ciência, tecnologia e pesquisas. Outro ponto destacado foi o protagonismo que deve ser dado à população que vive e depende da floresta, pois eles são o primeiro elo da cadeia e têm muito conhecimento sobre a Amazônia que deve ser reconhecido e aproveitado para encontrar soluções para alavancar a bioeconomia regional e preservar a floresta.

O último painel do fórum aconteceu na sexta-feira (25) com a apresentação do Plano de Recuperação Verde (PRV), elaborado pelo Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e que tem quatro eixos principais: frear o desmatamento na área; incentivar desenvolvimento produtivo sustentável; promover a tecnologia verde e capacitação; e desenvolver a infraestrutura verde. Os painelistas conversaram sobre a potencialidade da Amazônia que deve ser aproveitada para a construção de uma nova economia aliada à preservação da natureza, com integração de toda a população, setor privado, governos em parceria com cooperação internacional, que têm há anos proporcionado a preservação da Amazônia, com investimentos e pesquisas.

Um dos participantes, o presidente do Consórcio e Governador do Maranhão, Flávio Dino, destacou que a Amazônia deve ser pensada fora dos estados que a abrigam também. “Esse não é um assunto apenas dos amazônidas, a Amazônia é uma questão nacional”, afirma. A ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil e representante da iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, Izabella Teixeira, afirmou que o Brasil está de costas para a Amazônia. “Os brasileiros conseguem falar mais de locais como Miami, do que sobre Belém ou Manaus, por exemplo. Existe certa distância da região e essa é uma mentalidade que precisa ser modificada, porque a Amazônia é algo que dá identidade contemporânea ao país”, disse. Durante o painel ficou evidente que com os objetivos definidos, incentivos e investimentos corretos, a Amazônia tem um grande potencial para ser o ponto de partida para uma mudança que se mostra extremamente necessária, que é a conservação da natureza e uma economia que tenha como primazia esse tema.

Todos os painéis do Fórum de Inovação em Investimento na Bioeconomia Amazônica estão disponíveis no canal da Revista Página 22 no youtube. Após sua primeira edição, o fórum passa a ser um evento anual, fazendo parte do Plano de Recuperação Verde. O evento é resultado de uma parceria entre a iniciativa Uma Concertação pela Amazônia e o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável Amazônia Legal.

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