Últimas

Lucro de R$ 6 mil/dia e 2 comparsas: Como atuava a 'gatinha da cracolândia'. VEJA

 Durante o dia, Lorraine Bauer Romeiro, 19 anos, interagia com 30 mil seguidores no Instagram e parecia se dedicar à vida de influenciadora digital com fotos bem produzidas num perfil já desativado. À noite, usava roupas largas e capuz para esconder o rosto enquanto vendia drogas na Cracolândia, na região central de São Paulo, com um lucro diário de R$ 6 mil e o apoio de dois comparsas.

Presa ontem por associação para o tráfico, a jovem foi apelidada de "gatinha da Cracolândia", segundo consta no relatório de investigação da Polícia Civil. Mãe de uma menina de 1 ano de idade, Lorraine já cumpria prisão domiciliar desde 30 de junho e teve a adolescência marcada pelo assassinato do pai, morto a tiros em uma tentativa de assalto em 2014.

  

Ontem de manhã, agentes do 77º Distrito Policial (Santa Cecília) cumpriram um mandado de prisão temporária contra Lorraine em uma casa em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. De lá, partiram para o centro da capital, onde apreenderam o equivalente a quase R$ 10 mil em drogas em uma mochila escondida em um hotel de dois andares na rua Helvetia, em Santa Cecília.

"Ô, Lorraine. Como é a frente do hotel, meu?", pergunta um dos policiais envolvidos na ação, que registrou o diálogo enquanto estava ao volante.

 

"Você tá gravando, moço?", questiona Lorraine, no banco traseiro da viatura.

 

"Eu quero gravar o que você me falou. Qual que é o hotel?", insiste o agente.

 

"Eu não sei, é aquele laranja ali. Eles sempre entram pra lá e pra cá moço."

 

Em um vídeo obtido pelo UOL, Lorraine aparece sentada na caçamba da viatura e com as mãos para trás, como se estivesse algemada. E volta a confirmar o local onde os agentes encontraram a mochila com as drogas.


Para acessar a área, foi necessária uma ação em conjunto com cerca de 30 guardas municipais, que conseguiram entrar no hotel de dois andares, onde encontraram crack, cocaína, maconha, ecstasy e lança-perfume.

 

Os agentes ainda apreenderam uma faca, uma balança de precisão e o celular de Lorraine, conforme consta no boletim de ocorrência registrado pelo 77º Distrito Policial.

 

Lorraine então foi levada a uma sala na delegacia, onde foi ouvida pelo delegado Severino Pereira de Vasconcelos. A conversa não durou dez minutos. "Ela estava tranquila. Demonstrou domínio das emoções. É uma pessoa que não se abala facilmente", contou o delegado.

 

Foi o desfecho da segunda prisão dela em um intervalo de apenas três semanas. No dia 30 junho, Lorraine foi presa em flagrante por tráfico de drogas com o namorado, mas teve a prisão convertida em domiciliar para cuidar da filha.

 

Com a prisão temporária de ontem, a jovem ficará detida por um mês e deve ser ouvida novamente pela Polícia Civil nos próximos dias.


Com base em uma investigação iniciada há cerca de quatro meses, os agentes conseguiram monitorar a rotina de Lorraine na Cracolândia. A aparência da jovem, loira e de cabelo longos, destoava dos frequentadores da região, segundo a polícia.

 

''Ela [Lorraine] tem uma beleza que a destacava das outras pessoas na Cracolândia. Isso facilitou a investigação para identificá-la naquela massa humana de usuários de drogas. Mas ela sempre tentava cobrir os cabelos com um capuz e usava trajes normais, para não chamar a atenção."disse o delegado Severino Pereira de Vasconcelos, do 77º DP

 

Segundo a investigação, ela adquiria um quilo de crack por cerca de R$ 20 mil e porções menores de outras drogas. A movimentação de venda de entorpecentes se arrastava até a manhã seguinte, quando era feita a prestação de contas. "Ela sempre ficava na contabilidade, atrás dos maços de dinheiro", revela o delegado.

 

De acordo com a polícia, Lorraine movimentava até R$ 30 mil por dia. Em média, o lucro era de R$ 6 mil, dividido com os dois comparsas.


Lorraine enfrentou uma tragédia familiar quando tinha apenas 12 anos. Em agosto de 2014, o empresário Ricardo Bauer Romeiro, pai dela, foi morto com um tiro na cabeça em uma tentativa de assalto no centro de Barueri, onde mora a família.

 

Com 43 anos na época, Ricardo conduzia uma caminhonete Nissan/Frontier quando foi abordado pelos criminosos. Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil na ocasião relatou ter ouvido disparos de arma de fogo e visto dois homens armados correndo na direção do veículo, que parou após colidir contra o canteiro central de uma rua.


Os bandidos então fugiram do local, segundo relatou a testemunha. Até hoje, os autores do crime não foram identificados.

 

Nenhum comentário

Obrigado por comentar aqui.