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Médicos e enfermeiros da Prefeitura de Manaus participam de seminário sobre diagnóstico e tratamento de tuberculose latente

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), em parceria com a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), iniciou nesta quarta-feira, 22/9, o seminário de Atualização das Novas Recomendações para o Diagnóstico e Tratamento da Tuberculose Latente.

Foto: Divulgação / BLITZ AMAZÔNICO

A programação, direcionada para médicos e enfermeiros que atuam na assistência aos pacientes com tuberculose, segue até quinta-feira, 23.

O encontro acontece no auditório da FMT-HVD, bairro Dom Pedro, zona Oeste, com o objetivo de fortalecer a capacitação dos profissionais no diagnóstico e tratamento da tuberculose latente, a partir de novas recomendações do Ministério da Saúde (MS).

Em 2021, o município de Manaus já registra o tratamento de 384 casos de tuberculose latente, que ocorre quando a pessoa é infectada pelo Mycobacterium tuberculosis, mas ainda não desenvolveu a doença ativa.

Durante a cerimônia de abertura do seminário, o subsecretário de Gestão da Saúde, Djalma Pinheiro Pessoa Coelho, destacou a importância da capacitação dos profissionais sobre os protocolos estabelecidos pelo MS para o diagnóstico e tratamento da tuberculose latente.

“São pacientes que tiveram contato com pessoas com tuberculose e foram infectadas, mas não têm a doença ativa, só que desenvolvem uma forma latente. Essas pessoas podem viver sem nunca desenvolver a tuberculose, mas muitas, em algum momento da vida, com queda da imunidade, poderão ter a doença ativa. Então, o objetivo é fortalecer a capacitação dos profissionais no diagnóstico e tratamento da tuberculose latente, para que seja possível evitar que o paciente desenvolva a infecção ativa, quebrando a cadeia de transmissão”, destacou Djalma Coelho.

Um dos focos do seminário é a implantação do novo esquema medicamentoso na rede de saúde, o chamado 3HP (Rifapentina + Isoniazida), que reduz o tempo de duração do tratamento.

O chefe do Núcleo de Controle da Tuberculose da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), enfermeiro Daniel Sacramento, explica que o tratamento preventivo para a tuberculose latente exigia a tomada diária de medicamento, por um período de quatro, seis ou nove meses, dependendo do remédio utilizado.

“Com o protocolo apresentado no seminário, o tratamento passa a ser de medicação administrada uma vez na semana, por 12 semanas”, informou o enfermeiro.

Além da mudança no esquema de tratamento, os profissionais também estão sendo orientados sobre como fazer o diagnóstico e o tratamento, assim como identificar o público-alvo para a realização do exame para o diagnóstico da tuberculose latente, que inclui os contatos intradomiciliares dos pacientes diagnosticados com a tuberculose ativa.

“O principal público para a investigação da tuberculose latente é formado por contatos que vivem no mesmo ambiente com pessoas diagnosticadas com tuberculose ativa, podendo ser crianças, adultos ou idosos. Também deve ser feita uma avaliação sobre os contatos na atividade laboral, em especial no convívio em ambientes administrativos, em salas fechadas, onde as pessoas convivem entre seis e oito horas por dia”, explicou Daniel Sacramento,

Ele lembra que o MS também recomenda a investigação para a tuberculose latente entre grupos de pessoas vivendo com HIV, em uso de tratamentos imunossupressores, diabéticos, tabagistas, trabalhadores da saúde e de instituições de longa permanência.

O seminário contou com a presença, como uma das palestrantes, da médica Anete Trajman, professora titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que destacou a importância da sensibilização da população sobre o tratamento preventivo da tuberculose.

“Existe um contingente de pessoas infectadas, que precisam ser tratadas, para evitar que desenvolvam a doença, e só assim vamos conseguir eliminar a tuberculose, como é a meta da Organização Mundial da Saúde. Mas existe um longo caminho para isso, que não é apenas prescrever um remédio. É preciso identificar quem deve ser testado para saber quem tem ou não a infecção. O que se espera com o seminário é orientar o profissional sobre como fazer com eficácia todas as etapas desse processo, não apenas o tratamento”, afirmou a professora.

Para a enfermeira Ivonete Magalhães da Silva, que atua na Unidade Básica de Saúde Josephina de Mello, no bairro Jorge Teixeira, zona Leste, a participação no seminário é mais um passo para fortalecer o atendimento aos pacientes com tuberculose.

“Temos pacientes com tuberculose em tratamento na UBS e no momento acompanho três com tuberculose latente. A maior dificuldade é com a adesão ao tratamento, em especial no caso de pacientes que são de fora da área de cobertura da UBS, onde não há um agente de saúde para mediar o contato. Muitos pacientes são moradores de bairros mais distantes, alguns não comparecem para a consulta previamente agendada ou trocam o número do telefone, o que dificulta a busca por eles. E a nova atualização do protocolo vai ajudar para uma maior adesão e conclusão do tratamento, já que será feito em um período mais curto de tempo”, afirmou a enfermeira.

A programação do seminário será encerrada na quinta-feira, 23, com mais duas turmas de profissionais de saúde e carga horária de quatro horas, divididos nos turnos da manhã e tarde, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30.

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