Morte de Marília Mendonça completa sete dias e mistérios ainda cercam acidente

 Brasil – Na última sexta-feira (5), a cantora e compositora Marília Mendonça morreu, aos 26 anos, em uma queda de avião.

A aeronave caiu numa serra em Piedade de Caratinga, a 309 quilômetros de Belo Horizonte (MG). Marília se apresentaria, naquela mesma noite, em Caratinga, a cerca de 12 quilômetros do local do acidente. A queda da aeronave também vitimou Henrique Ribeiro, produto geral da artista; Abicieli Silveira Dias Filho, tio e assessor da cantora; Geraldo Martins de Medeiros Júnior, piloto do avião; e Tarciso Pessoa Viana, copiloto.

Uma semana depois do acidente, ainda há dúvidas a respeito do que realmente causou a queda do avião. O ocorrido vem sendo investigado pela FAB (Força Aérea Brasileira). Veja abaixo tudo que, até agora, já se sabe sobre o acidente que causou a morte de Marília Mendonça:
Queda de avião é investigada pelo Cenipa, da FAB

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos), da Força Aérea Brasileira (FAB), está à frente das investigações sobre o acidente. Para a tarefa, o órgão da Aeronáutica destacou investigadores que atuam no Rio de Janeiro (RJ), no serviço regional de investigação e prevenção de acidentes.

A aeronave que caiu tem a matrícula PT-ONJ, e é de propriedade e operada pela empresa PEC Táxi Aéreo, com sede em Goiânia (GO); onde Marília Mendonça vivia. O bimotor foi fabricado em 1984. O RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro) do avião estava com o CVA (Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade) válido até 1º de julho de 2022.
Modelo de avião é um dos mais usados no Brasil

O modelo no qual Marília Mendonça viajava é semelhante ao da aeronave que caiu em Piracicaba, interior de São Paulo, em setembro, deixando sete mortos. É um modelo C90A, fabricado pela Beech Aircraft, que custa em torno de US$ 2,5 milhões. Há cerca de 430 aeronaves desse tipo atualmente em condições de voo no Brasil. O modelo é popular por poder pousar em pistas não pavimentadas e pistas curtas; e considerado bastante seguro: apenas 15 acidentes com aeronaves desse tipo aconteceram no Brasil nos últimos dez anos.
Investigação começou no sábado

A equipe do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) começou o trabalho de apuração das causas do acidente com o bimotor que causou a morte da Marília Mendonça por volta das 6h de sábado (6). O tenente-coronel aviador Oziel Silveira, chefe do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA 3), órgão regional do Cenipa, estava no comando da operação.

– O nosso objetivo hoje é cumprir a ação inicial: levantar e buscar todas as evidências possíveis para, após, fazermos as análises e estudos para tentarmos identificar os fatores contribuintes que levaram à ocorrência – afirmou Silveira na ocasião. – Não buscamos nem culpados, nem responsabilidade, mas agir na prevenção, de modo a não ocorrer mais.
Colisão com fios de alta tensão pode ter causado a queda

Ainda na sexta-feira (5), a Cemig, empresa distribuidora de energia de Minas Gerais, confirmou que o avião que levava Marília Mendonça atingiu um cabo de uma torre de distribuição da companhia localizada em Caratinga. O rompimento de um cabo da rede elétrica foi confirmado com um sobrevoo de helicóptero na manhã de sábado (6). Assim, levantou-se a possibilidade de que o choque poderia ter provocado o acidente.

Dados registrados no Rotaer, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, que reúne informações sobre todos os aeroportos do país, indicam dois obstáculos temporários no entorno do aeroporto de Caratinga: uma antena e uma torre. As informações de ambos entraram no sistema em julho e setembro deste ano, respectivamente. Os equipamentos estão fora da zona de proteção do aeródromo, ou seja, não são irregulares. Há também registro de um obstáculo não iluminado, um morro, com uma notificação de que a informação deve ser observada por quem voa no local.

– Um acidente desse tipo dificilmente ocorreria em Congonhas, porque os obstáculos são mais bem conhecidos pelos tripulantes – disse Marinho. – Quem voa em Congonhas voa sempre em Congonhas, mas um táxi aéreo fretado para Caratinga provavelmente estava realizando um voo eventual, então esse conhecimento de obstáculos requer mais atenção.
Avião não tinha caixa-preta; motores foram localizados

​O avião que transportava Marília Mendonça não possuía caixa-preta, uma vez que esse tipo de aeronave não requer o equipamento. A equipe do Cenipa conseguiu, porém, encontrar o equipamento de geolocalização que dá as coordenadas dos locais por onde a aeronave pode ter passado. O relatório final com as conclusões das análises ainda não foi divulgado.

Os dois motores da aeronave foram localizados próximo ao local da queda.
Destroços do avião foram removidos

Os destroços do avião que levava Marília Mendonça foram retirados do local do acidente no domingo (7). A operação foi realizada pela Fervel, uma empresa da região, segundo informações do UOL. Um guincho de arrasto de 200 toneladas foi utilizado para puxar o avião de dentro da cachoeira onde estava. As asas do bimotor foram cortadas, para facilitar a remoção.

Já os dois motores da aeronave foram removidos na segunda-feira (8) – um dos equipamentos estava submerso em um local de difícil acesso, depois de ter rolado pela cachoeira após o impacto do avião. Chuvas no local aumentaram o nível da água, o que dificultou a remoção. Na madrugada de terça (9), o avião foi encaminhado para o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro (RJ), onde ficará para realização de perícia. Já os dois motores foram transportados para Sorocaba, no interior de São Paulo, onde atua um perito especializado nesse tipo de trabalho.
Cabo foi encontrado enrolado em hélice

A Polícia Civil de Minas Gerais encontrou um cabo enrolado em uma das hélices do bimotor. Apesar das evidências de que houve realmente uma colisão do avião com o cabo da torre de distribuição de energia, especialistas afirmam que ainda não é possível saber se as falhas que provocaram o acidente ocorreram antes da colisão ou logo após.

– A gente só pode afirmar que esse é o cabo que se rompeu quando tiver o laudo pericial – disse ao Jornal Nacional o delegado regional de Caratinga, Ivan Sales.

*Com informações do NSC Total*. 

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