Mourão: ‘O que são 35 mil comprimidos de Viagra para 110 mil velhinhos?’

O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) tentou justificar, nesta quinta-feira (14/4), a autorização para compra pelas Forças Armadas de mais de 35 mil comprimidos de Viagra para a Marinha, Exército e Aeronáutica.



Em entrevista ao Valor Econômico, Mourão disse que não vê a situação como escândalo e chamou a repercussão em torno do caso de “coisa de tabloide sensacionalista” e ainda brincou com o assunto.

“Então, tem o velhinho aqui [aponta para si próprio]. Eu não posso usar o meu Viagra, pô? O que são 35 mil comprimidos de Viagra para 110 mil velhinhos que tem? Não é nada”, afirmou.

De acordo com ele, a compra não teria problema, já que o sistrema de saúde das Forças Armadas também é alimentado com parte dos salários dos militares.

“Lógico que está havendo exagero. Mesmo que seja para o cara usar [para disfunção erétil]. Vamos colocar como funciona o sistema de saúde do Exército: um terço é recurso da União, que é o chamado fator de custo, é a contrapartida da União para os militares. E dois terços é o fundo de saúde que é bancado pela gente. Então, eu desconto 3% do meu salário para o fundo de saúde. E todos os procedimentos que eu faço a gente paga 20%, além dos 3% que ele desconta. Nós temos farmácias. A farmácia vende medicamentos. E o medicamento é comprado com recursos do fundo”, argumentou.

As autorizações para compra foram reveladas por um levantamento feito pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO). Desde 2019, foram autorizados pregões para a compra de 35.320 comprimidos de Viagra, o medicamento é normalmente usado para tratamento de disfunção erétil.

As Forças Armadas justificaram que a aquisição do remédio seria com o propósito de tratamento de hipertensão arterial pulmonar. Porém, essa doença é rara e mais comum em mulheres.

Além dos comprimidos de Viagra, levantamentos mostraram que as Forças Armadas autorizaram a compra de 60 próteses penianas. O Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) foram acionados para investigar as compras.

Nesta quarta-feira (13/4), o presidente Jair Bolsonaro (PL) também comentou o assunto. Ele afirmou que 35 mil comprimentos não são “nada” e criticou a cobertura da imprensa sobre a questão.

“As Forças Armadas compram Viagra para combater a hipertensão arterial e, também, as doenças reumatológicas. Foram 30 e poucos mil comprimidos para o Exército, 10 mil para a Marinha e eu não peguei da Aeronáutica, mas deve perfazer o valor de 50 mil comprimidos. Com todo o respeito, isso é nada… A quantidade para o efetivo das três Forças, obviamente, muito mais usado pelos inativos e pensionistas”, disse.


Com informações do Correio Braziliense.

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