Prefeitura e Iphan alinham olhar para o rio no Mirante da Ilha e no Parque Encontro das Águas

Com forte inspiração nas águas do rio Negro, visto como uma artéria onde as comunidades urbanas, as ribeirinhas, foram se construindo ao longo dos anos na Amazônia, dois projetos da Prefeitura de Manaus estão em análise para aprovação junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas: o Largo e Mirante da Ilha de São Vicente, no centro histórico da cidade, e o parque Encontro das Águas Rosa Almeida, na zona Leste.


Apesar da forte conexão com o elemento água dos rios, Manaus sempre foi conhecida por voltar às costas ao elemento natural, apesar da sua extensão e linda paisagem. E, além das discussões sobre sustentabilidade e preservação, a água é um elemento de imersão arquitetônica que se reflete nos dois projetos apresentados pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).

Durante nova rodada de tratativas entre Implurb e Iphan para análise e futura aprovação das intervenções urbanas, foram detalhados pontos de salvaguarda e de interesse para o tombamento. “Ambos os projetos darão condição ao Iphan de iniciar a análise após as explanações técnicas, atendendo aos regramentos e justificativas. Nos bens materiais não edificados, como a arqueologia, também existe acautelamento pelo Iphan para preservação e valorização de bens reconhecidos como patrimônio cultural brasileiro”, disse a superintendente do instituto federal, Karla Bitar.

Relações

Para ela, as relações de retomada com o rio são muito positivas em ambos os projetos. E o rio é um dos maiores patrimônios naturais que compõem os cenários do Centro, inclusive com as enchentes. “A partir do Dossiê de Tombamento, temos medidas e alternativas para preservação e valorização do trecho do Centro. E, no Encontro das Águas, quando houve o tombamento, se começou um estudo aprofundado para entender o que se teria que preservar naquele ambiente cultural e natural”.

A superintendente explicou que o entendimento encontrado foi de se preservar a moldura paisagística. “Pode ter intervenção, sim, mas não se pode tirar o protagonismo do fenômeno do encontro dos rios, devendo se permitir a visualização da margem para os rios. É preciso entender esta moldura paisagística e que as alterações da intervenção não sejam um ruído para essa preservação, para essa visão que se tem com o encantamento que nos é percebido sempre que visitamos o Encontro das Águas, o seu protagonismo”, comentou Karla.

O diretor de Planejamento Urbano do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, afirmou que a gestão David Almeida está atuando em várias frentes para acelerar as aprovações necessárias diante de prazos enxutos. “A ideia é alinhar, facilitar e agilizar a aprovação, seguindo os trâmites, procedimentos e buscando compatibilizar os prazos”.

Durante a apresentação, a equipe técnica do Implurb explicou as relações com o rio propostas nos dois projetos. Para o Centro, o Largo e Mirante da Ilha atuarão como polo dinamizador e para reduzir os efeitos da degradação da área central que perdura há décadas.

“O Mirante e o Largo vão potencializar e ajudar a implantação de outras atividades que servirão de apoio ao projeto, como novos negócios, cafés, lanches, hostel, restaurantes e outros. Procuramos essa diversidade de usos”.

Para o parque Encontro das Águas a base para construção do memorial técnico partiu de uma nota técnica do próprio Iphan, pontuando itens definidos no projeto que leva assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer, que foi contratado em 2006. “O projeto de Niemeyer não tem interferência na dimensão cênica e isso é pontuado como fundamental na nota técnica. O encontro dos rios é protagonista sempre”.

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