Prefeitura orienta sobre medidas de atenção e cuidados contra violência sexual infantojuvenil

A Prefeitura de Manaus orienta a população sobre medidas de atenção e cuidados que são essenciais na proteção de crianças e adolescentes contra o abuso e à exploração sexual.


Na Atenção Básica, esses jovens são assistidos pelo Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Savvis), ofertado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), para diminuir ao máximo as sequelas psicológicas e físicas nos pacientes.

A psicóloga Raquel Azevedo, que atua no Savvis da Maternidade Moura Tapajós, explica que meninos e meninas estão vulneráveis a esse tipo de violência, e o diálogo estabelecido desde cedo na família é fundamental para identificar esses casos e, assim, proteger os jovens.

“A vítima tem muito mais chances de se recuperar quando a família mantém um diálogo com ela desde criança, aliado a uma relação de confiança e respeito, quando ela sabe que não será desacreditada. É importante, também, que as famílias e as escolas trabalhem a educação sexual, para a criança entender o que é o seu corpo, onde pode e não pode pegar, e reconhecer quando o ‘carinho’ se torna agressivo”, diz.

Raquel afirma que essa rede de apoio precisa ser fortalecida de forma contínua, até para impedir o surgimento de novos casos. Na maioria das vezes, de acordo com ela, o agressor faz parte da família da vítima ou está dentro do seu círculo de convívio, o que dificulta a identificação do problema.

“A violência sexual infantojuvenil tem mecanismos que fazem a vítima ficar com muito medo de denunciar, com vergonha, principalmente por ameaças diretas que o agressor faz. Como ele é mais velho, ela o percebe como uma figura de autoridade e acha que ninguém vai acreditar na sua palavra, o que acaba prolongando essa violência”, pontua.

Quando a vítima não é socorrida no início e a violência sexual persiste por longos períodos, as sequelas são mais graves, conforme a psicóloga.

“Essa criança ou adolescente pode desenvolver, na fase adulta, quadros de depressão, ansiedade, dificuldade de ter relacionamentos, tanto sociais quanto sexuais. Muitas vítimas que têm a sexualidade despertada precocemente, se automutilam, têm pensamentos suicidas. A vida da pessoa é afetada a longo prazo, e é preciso do envolvimento de todos no fortalecimento dessa rede de proteção”, conta.

Dados disponíveis no portal da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), administrada pelo governo do Estado, apontam que 83 crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registrados em Manaus, nos dois primeiros meses deste ano. São casos de estupro, importunação sexual e favorecimento da prostituição infantojuvenil.

Sinais

A psicóloga Raquel Azevedo aponta ainda que os familiares podem observar alguns sinais que apontam se a criança ou o adolescente pode estar sofrendo abuso ou exploração sexual.

Dentre eles, a queda no desempenho escolar, mudança repentina de humor, interesses inadequados para sua idade, e até comportamentos durante brincadeiras ou desenhos. Segundo ela, o jovem que sofre com essa violência também pode ter muita vergonha do próprio corpo e de ficar despido mesmo na frente de pessoas íntimas.

Além disso, sinais físicos também podem indicar abuso sexual e precisam da atenção dos responsáveis, como calcinha ou cueca suja de sangue, dificuldade para andar, dores ao sentar e até marcas pelo corpo.

"Às vezes os sinais são fortes e às vezes nem tanto. É importante que a família mantenha um diálogo com esse jovem, de forma adequada para sua idade, evitando deixá-lo retraído ao falar sobre o assunto. Também é essencial ter muito cuidado para não expor essa criança ou adolescente, mas sim passar confiança para protegê-la e impedir esse ciclo de abusos”, afirma Raquel.

Saúde das vítimas

A chefe do Núcleo de Saúde da Criança e Adolescente da Semsa, Patrícia Marques, informa que a violência sexual pode ser identificada, tanto pelo médico quanto pelo enfermeiro da Unidade Básica de Saúde (UBS), ou mesmo relatada pela vítima ou familiar.

“Essa criança ou adolescente é notificada e encaminhada para o Savvis para iniciar todo o acompanhamento médico e psicológico, além da realização de exames necessários. O acompanhamento dessa pessoa passa a ser compartilhado pelos profissionais do serviço especializado e pela unidade de saúde mais próxima da casa dela, com consultas mensais, até quando ela precisar”, conta.

Patrícia afirma que existem vários tipos de abusos e formas de exploração sexual infantojuvenil, e os procedimentos de saúde necessários são identificados a partir do momento em que ela é atendida pelo Savvis. Caso haja o ato consumado, a rede oferta medicamentos para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. Quando não há ato sexual consumado, o apoio é principalmente baseado na assistência psicológica ou psiquiátrica.

Sensibilização

Na próxima sexta-feira, 20/5, a Semsa irá promover uma ação no Parque do Mindu, zona Centro-Sul, para buscar um engajamento maior da sociedade na proteção dos jovens. A atividade integra a mobilização do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio.

A chefe do Núcleo de Prevenção a Riscos à Saúde por Causas Externas da Semsa, Roxana Espinar, informa que a programação será de 8h às 12h, com palestra sobre o Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (Savvis); Atendimento às Crianças e Adolescentes; e Impacto na Sociedade e na Saúde”, apresentações culturais e atividades lúdicas.

A ação, que traz o tema “Nós fazemos bonito, faça bonito também”, contará com a parceria da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS– RCP/AM). A ideia é destacar o papel de cada pessoa no combate ao problema.

Fotos - Camila Batista / Semsa

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