Prefeitura de Manaus orienta guias comunitários do Tupé sobre primeiros socorros em área de floresta

A Prefeitura de Manaus iniciou, nesta quinta-feira, 2/6, a primeira turma da oficina “Práticas de Primeiros Socorros Florestais", para moradores da comunidade do Julião, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Municipal do Tupé, zona ribeirinha da cidade.


A capacitação, ministrada pela Escola de Serviço Público Municipal e Inclusão Socioeducacional (Espi), vinculada à Secretaria Municipal de Administração, Planejamento e Gestão (Semad), foi solicitada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), no Levantamento de Necessidade de Capacitação (LNC), para 2022.

A ação faz parte da área temática “Atenção à Saúde”, e tem como objetivo contribuir para que os participantes que atuam como guias comunitários tenham conhecimentos adequados e suficientes para a realização dos procedimentos de primeiros socorros florestais em ambientes de exposição ao perigo, assegurando a vida da vítima.

“A Prefeitura de Manaus, por meio da Espi, tem o entendimento dessa real necessidade de uma população que estava esquecida pelo poder público, conforme relato de alunos daqui. Sensível a isso, o prefeito David Almeida orienta que também na área de capacitação, essas pessoas tenham, da gestão, a atenção que precisam”, explicou a diretora do Departamento de Educação e Aperfeiçoamento da Espi/Semad, Jeânia Bezerra.

Para o mês de julho, a Espi já tem programada capacitação em beneficiamento de sementes para a confecção de ecojoias na comunidade Agrovila e, em agosto, curso de noções de língua espanhola, na comunidade do Julião, as duas na RDS Tupé.

Primeiros Socorros Florestais

Os Primeiros Socorros Florestais são procedimentos de emergência que devem ser aplicados em uma pessoa que se encontre em localização de difícil acesso, em situação de perigo, visando manter os sinais vitais e evitando o agravamento do quadro, até que ela receba atendimento definitivo.

O atendimento à vítima pode ser realizado por qualquer pessoa, desde que treinada para realizar as técnicas preconizadas para o atendimento emergencial. Serão três dias de treinamento, totalizando 21 horas de aulas, entre teoria e simulação para a prática de atendimentos em primeiros socorros em floresta.

A subsecretária da Semmas, Andréa Cidade, destacou que a prefeitura vem realizando ações voltadas às pessoas que vivem nas áreas ribeirinha e rodoviária de Manaus.

“A Semmas identificou, em todas as comunidades que estão localizadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável nas áreas ribeirinhas, a necessidade de capacitar os moradores em diversos segmentos. Para isso, contamos com a ajuda de parceiros como a Semad, por meio da Espi, a Semulsp, a Seminf e todas as secretarias da prefeitura. Esse curso é de fundamental importância porque, além de preencher o tempo, traz conhecimento para esses jovens e todos os moradores dessas comunidades que queiram participar”, informou.

A oficina

O conteúdo inclui conceito e procedimentos de primeiros socorros florestais (em áreas remotas); ações preliminares; pedidos de socorro e resgate para acionamento de sistema de emergência; equipamentos de autoproteção; proteção individual; equipamentos de salvamento e montagem do kit de primeiros socorros.

O técnico em enfermagem Júlio Renê de Brito, instrutor da oficina, contou que os primeiros socorros em áreas remotas, por se tratar comunidade afastada do centro da cidade, tem características um pouco diferentes do que ocorre na cidade.

“Nessa oficina, os alunos terão acesso a informações sobre como avaliar uma vítima em um acidente, como estabilizar e transportar essa vítima. Esse tipo de acidente pode ser desde uma picada de cobra, a um corte profundo, com sangramento intenso, uma parada cardíaca ou um afogamento, por exemplo. Teremos aulas práticas e teóricas, em oficinas com desenvolvimento de habilidades que vão capacitar esses alunos para atender uma vítima em áreas remotas. Eles estarão preparados para agir, inclusive em casos de acidentes à noite, quando é necessário manter o paciente estável até a remoção por uma equipe especializada”, ressaltou.

Também constam na programação da oficina, orientações sobre abordagem com a identificação do estado vital da vítima; identificação de parada cardiorrespiratória; liberação das vias aéreas e desobstrução e manobras de reanimação; engasgamento, além de abordagem ao trauma, com as principais situações de emergência; ferimentos e hemorragias; fraturas, luxações, entorses, imobilizações; queimaduras; e afogamento.

Haverá ainda, noções de abordagem às emergências clínicas em acidentes com animais e picadas de animais peçonhentos; desmaios; convulsões; infarto; Acidente Vascular Cerebral; intoxicações e reações alérgicas e procedimentos de segurança em resgates florestais com ênfase em cuidados em áreas de difícil acesso; acesso a locais difíceis; e transporte da vítima.

O guia florestal Álvaro Bastos, mais conhecido como “Barô”, está participando da oficina. Ele disse que na atividade que desenvolve, precisa ter acesso a essas orientações para que possa atuar em caso de necessidade.

“A gente precisa muito porque, de repente, em uma trilha, acontece um acidente, alguém se machuca ou é atacado por uma cobra. Temos que estar preparados para poder auxiliar com os cuidados iniciais”.

Moradora da comunidade, Alicelia Mendes, de 33 anos, disse que o curso será de grande valia. “Nós já tivemos casos aqui de pessoas que se acidentaram e ficaram sem os primeiros socorros por não haver ninguém capacitado para atendê-las. Essa oficina será muito importante para nós”.

Fotos - João Viana / Semcom

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