Prefeitura de Manaus orienta estabelecimentos de saúde a observar sinais e sintomas de varíola do macaco

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), está orientando os estabelecimentos das redes de saúde pública e privada a observarem sinais e sintomas de monkeypox, doença também conhecida como varíola do macaco, em pacientes atendidos nos estabelecimentos assistenciais da capital.


A recomendação está descrita no Alerta de Risco emitido na última segunda-feira, 13/6, pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs) do município.

O objetivo dos alertas epidemiológicos, segundo o secretário municipal de Saúde, Djalma Coelho, é fornecer informações oficiais e atualizadas sobre situações de emergência em saúde pública e garantir que os profissionais e a população estejam atentos e orientados quanto a medidas de proteção e controle, antes mesmo do surgimento de casos no contexto local.

Manaus não registrou, até o momento, nenhuma suspeita ou confirmação da doença, mas, até o último dia 13, o Brasil teve 13 casos notificados. Destes, três foram confirmados (dois em São Paulo e um no Rio Grande do Sul), dois foram descartados por exame laboratorial e os demais permanecem suspeitos.

“É um cenário epidemiológico que exige a atenção da rede de saúde para o risco de entrada do vírus e a Prefeitura de Manaus está se antecipando com orientações e recomendações técnicas”, observa o secretário.

A diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Semsa, Marinélia Ferreira, explica que, com o Alerta, a secretaria espera sensibilizar os profissionais de todas as esferas de atendimento de saúde municipal, estadual e federal, seja ambulatorial ou hospitalar, para que, diante de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da varíola do macaco, façam a correlação e a notificação, se atenderem à definição de caso.

“Trata-se de um agravo novo, então temos de estar sensíveis a possíveis casos e a nossa rede deve estar preparada para atender essas pessoas”, ressalta a diretora.

Marinélia informa que as medidas de prevenção à doença são as mesmas utilizadas para outras doenças transmitidas por contato pessoal direto ou por contato com superfícies contaminadas e incluem o uso de máscara, higienização de mãos e isolamento do paciente.

“A OMS (Organização Mundial de Saúde) também recomendou o uso de vacina contra a varíola em públicos prioritários, como profissionais de saúde e especialistas que realizam diagnóstico laboratorial para a doença, porém, ainda estamos aguardando posicionamento do Ministério da Saúde quanto à conduta que será adotada no nosso país”, assinala Marinélia, enfatizando que a OMS não recomenda, até o momento, vacinação em massa.

Casos suspeitos e prováveis

No Alerta emitido pelo Cievs, a Semsa define como caso suspeito de monkeypox o indivíduo de qualquer idade que, a partir de 15/3/22, apresente febre súbita maior que 38,5ºC, adenomegalia (aparecimento de gânglios) e erupção cutânea (do tipo papulovesicular) de progressão uniforme e que apresente um ou mais dos seguintes sintomas: dor nas costas, astenia (perda ou diminuição da força física) e dor de cabeça, e que não se enquadrem em outras doenças como a varicela (catapora), sarampo, dengue, zika, chikungunya, herpes zoster, herpes simples, infecções bacterianas de pele, sífilis, reações alérgicas, entre outras, após investigação clínica ou laboratorial.

Já o caso provável é o do indivíduo que atende à definição de caso suspeito e que teve contato próximo e prolongado sem proteção respiratória, contato físico direto (incluindo contato sexual) ou com material contaminado, ou que tenha viajado para país endêmico ou com casos confirmados da doença nos 21 dias anteriores ao aparecimento dos sintomas.

A monkeypox ou varíola dos macacos é uma doença viral com sintomas semelhantes aos da varíola humana (erradicada em 1980), mas com menores taxas de transmissão e letalidade.

A doença foi identificada em 1958, quando ocorreram dois surtos em colônias de macacos mantidos para pesquisa (por isso o nome). O primeiro caso humano foi registrado em 1970 na República Democrática do Congo.

A monkeypox é endêmica na África Ocidental e Central e apresenta casos confirmados em países não endêmicos.

A transmissão se dá principalmente por contato com sangue, fluidos corporais, lesões de pele ou mucosa de animais infectados. Entre humanos, a doença é transmitida por contato próximo com secreções respiratórias, com lesões de pele ou com objetos e superfícies contaminadas.

O período de incubação é de 5 a 21 dias, mas é mais comum que os sinais e sintomas apareçam entre o 6º e o 13º dia após a infecção. As manifestações clínicas da varíola do macaco são: febre (acima de 38ºC de início súbito, adenomegalia (aparecimento de gânglios), erupções na pele de progressão uniforme, dor nas costas, fraqueza muscular e dor de cabeça.

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